A queda forte dos preços de matérias-primas (commodities) complicava ainda mais a situação da Bolsa de Valores de São Paulo hoje à tarde, que tem como carro-chefe ações de empresas atreladas a esses produtos. Diante da baixa de 4,09% no contrato de petróleo com vencimento em novembro na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) às 15h25, as ações preferenciais (PN) da Petrobras cediam 8,62% e as ordinárias (ON) recuavam 8,34%.

O declínio dos metais afetava também as ações da outra blue chip: Vale PNA cedia 10,03% e Vale ON caía 11,79%.

Às 15h28, o índice Bovespa despencava 8,30% a 45.666 pontos, logo após atingir a mínima de -8,46% (45.586 pontos). Em Nova York, o índice Dow Jones cedia 2,89%, o Nasdaq caía 3,84% e o S&P 500 recuava 3,46%.

A Bovespa está em queda forte, sofrendo com o desmonte de posições diante dos temores de que a recessão nos Estados Unidos seja inevitável. A avaliação de que o pacote de socorro ao setor financeiro norte-americano aprovado no Senado dos EUA, mesmo que também passe na Câmara, não resolverá o problema piorava ainda a situação.

De acordo com o gestor de renda variável de uma corretora em São Paulo, o fato de o Ibovespa à vista ter rompido alguns suportes, na faixa dos 47.600 pontos e 46.000 pontos, também deflagrou ordens de "stop loss" (prevenção de prejuízo) nos contratos de índice futuro negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), ampliando a pressão nas operações à vista. "É só esperar as mais novas mínimas", disse um profissional da área de bolsa de outra corretora.

A piora na Bovespa contribui para pressionar as cotações do dólar. A moeda americana também renovou a máxima ante o real pressionada pela valorização externa do dólar em relação ao euro e o nervosismo nos mercados. O temor de uma recessão profunda nos Estados Unidos, a expectativa de um número ruim para o relatório de vagas de trabalho de setembro que será divulgado nos EUA amanhã e incertezas sobre a votação pela Câmara até amanhã do pacote reformado de socorro ao setor financeiro norte-americano justificam o ambiente tenso.

Às 15h32, o dólar comercial disparava 6%, negociado a R$ 2,033 no mercado interbancário de câmbio, na taxa máxima do dia até este horário.

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