SÃO PAULO - Descolada do mercado americano, que avança nos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inverteu o rumo e passou a operar abaixo dos 67 mil pontos, pressionada pelo desempenho dos papéis da Petrobras. Próxima das 12h05, o Ibovespa, que já oscilou entre 66.815 pontos e 67.

SÃO PAULO - Descolada do mercado americano, que avança nos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inverteu o rumo e passou a operar abaixo dos 67 mil pontos, pressionada pelo desempenho dos papéis da Petrobras. Próxima das 12h05, o Ibovespa, que já oscilou entre 66.815 pontos e 67.968 pontos, cedia 0,95%, aos 66.884 pontos. O volume financeiro movimentado estava em R$ 1,997 bilhão. No mesmo período, os papéis PN da Petrobras recuavam 3,44%, a R$ 31,67, com giro de R$ 399 milhões, enquanto as ações ON caíam 3,78%, a R$ 35,55, com volume de R$ 81,8 milhões. A sócia da Oren Investimentos, Daniella Marques, assinala que as últimas notícias referentes ao processo de capitalização da Petrobras estão levando os investidores a"zerar"suas posições nos papéis. Na sexta-feira passada, a estatal revelou que a cessão onerosa de até 5 bilhões de barris de óleo deverá ser feita apenas com base na certificação feita pela DeGolyer & MacNaughton, consultoria contratada pela estatal. O Conselho de Administração recomendou que a capitalização da empresa, prevista para ser privada (restrita aos atuais acionistas), seja aberta também a investidores que não possuem papéis da companhia. O Conselho manteve a meta para que as operações de capitalização e cessão onerosa sejam realizadas até julho. Para isso, será necessário fazer a cessão onerosa com base somente no laudo da DeGolyer & MacNaughton. A solução encontrada pela empresa foi propor um ajuste assim que a certificação contratada pela agência reguladora fique pronta. O diretor financeiro e relações com investidores da estatal, Almir Barbassa, explicou que o laudo encomendado deverá ficar pronto em junho, enquanto a ANP deverá ter em mãos o segundo documento apenas em setembro. Caso o documento da ANP traga valores diversos para o petróleo que será usado na cessão onerosa, haverá um ajuste contratual. Se a revisão levar a um valor maior que o usado pela Petrobras, o volume de óleo equivalente negociado será reduzido. Se indicar um valor menor, o volume de óleo será aumentado, até o teto de 5 bilhões de barris previsto no projeto em tramitação no Congresso. A primeira revisão não acaba com a necessidade de uma segunda discussão sobre o valor do barril, já prevista no projeto enviado ao Congresso para acontecer entre um ano e dois anos depois da assinatura dos contratos. "Agora o mercado sabe que a oferta de ações vai existir de qualquer maneira. Apesar de, a médio e longo prazo, a solução não ser tão ruim, há uma pressão de venda de ações muito grande. O racional da parte do mercado é ficar zerado até o processo e, se enxergar valor no médio e longo prazo, comprar papéis na oferta", comentou Daniella. Na edição de hoje do Valor, o diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, apontou que a volatilidade dos papéis da Petrobras é comum."O acionista atual, sabendo da operação, começa a vender parte da sua posição. Quer vender ao preço corrente, vai derrubando a ação e aí a formação do preço na hora da emissão se dá em nível mais baixo. Aí ele volta e recompra o que vendeu por um preço menor. Isso é o esperado, o mercado age assim. Em todas as operações de capital acontece isso", afirmou. (Beatriz Cutait | Valor)

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