Arantxa Iñiguez. Frankfurt (Alemanha), 5 nov (EFE) - A mulher mais rica da Alemanha, acionista majoritária da BMW e da Altana, Susanne Klatten, denunciou estar sofrendo chantagem de um gigolô que ameaçou publicar as fotos e gravações em vídeo das relações sexuais mantidas por ambos. Klatten, de 46 anos, é a herdeira da família Quandt, uma das mais conhecidas da Alemanha, e tem um patrimônio avaliado em 13 bilhões de euros (US$ 16,38 bilhões). Durante meses, ela, que, com a mãe e o irmão Stefan detêm 46% das ações da BMW, foi chantageada pelo suíço Helg Sgarbi, de 41 anos, um gigolô com quem teve encontros sexuais em hotéis de luxo e que a extorquiu até janeiro deste ano, quando a executiva resolveu denunciá-lo por chantagem e fraude, mesmo com a publicidade do caso. Klatten, casada há 18 anos e mãe de três filhos, conheceu Sgarbi em 2007, e ambos se encontraram em várias ocasiões em diferentes hotéis. Em um deles, um cúmplice do chantagista, Ernano Barretta, filmou a milionária em situações aparentemente comprometedoras. Os dois homens estão à disposição da Polícia.

Primeiro, Sgarbi pediu à milionária 7,5 milhões de euros (US$ 9,4 milhões), valor que a executiva pagou, mas o chantagista continuou pedindo mais e ameaçando publicar as fotos e as gravações.

O caso não encontrou eco apenas nas emissoras de televisão e na imprensa sensacionalista da Alemanha, mas também foi parar nas páginas do "Financial Times Deutschland".

O jornal econômico destacou em um editorial que Susanne Klatten é, "como acionista majoritária da BMW e da Altana, parte da elite econômica, que há meses foi parar no limbo por seu desmoronamento moral".

No entanto, o "Financial Times Deutschland" considera que "a herdeira milionária foi vítima de fraude e chantagem" e elogia sua coragem de denunciar, apesar de saber que o caso viria a público, por se tratar de uma pessoa da história contemporânea.

Já o "Bild" e o italiano "Il Giornale" informaram que os encontros ocorriam em hotéis discretos de Monte Carlo e Munique, por exemplo, no aeroporto de Munique, e no quarto 629 do Holiday Inn da capital bávara, onde foram feitas as gravações a partir do quarto vizinho.

O jornal acrescenta que, antes de partir para a chantagem, Sgarbi arrancou dinheiro da milionária dizendo que tinha atropelado o filho de um mafioso americano, que temia por sua vida e que precisava de ajuda.

A empresária acreditou nele e, em setembro de 2007, deu 7,5 milhões de euros em notas de 200 euros na garagem do Holiday Inn de Munique, segundo o "Il Giornale".

Em novembro, após Klatten colocar fim ao caso, os chantagistas enviaram uma carta com fotos na qual ela aparecia com Sgarbi em posições comprometedoras, advertiam à executiva de que tinham vídeos e pediam outros 40 milhões de euros, segundo o "Bild".

Já em janeiro deste ano, a empresária, reservada e tímida perante a imprensa, denunciou o caso na Promotoria de Munique, cidade na qual mora, com plena consciência de que o caso sairia à luz.

O porta-voz de Klatten disse que ela "apresentou uma denúncia conseqüentemente e sem considerar as desagradáveis conseqüências públicas que teriam para ela", ao determinar que o objetivo era, desde o começo, achacá-la e chantageá-la.

Supostamente, os dois chantagistas, velhos conhecidos da Polícia, extorquiram outras três alemãs amigas da herdeira dos Quandt em três milhões de euros de cada uma, afirma a imprensa italiana.

A família Quandt, fabricante de lenços desde o século XVIII, é uma das mais ricas e poderosas da Alemanha e foi relacionada com o nacional-socialismo em uma reportagem da principal cadeia pública de televisão, a "ARD", em 2007.

A maior parte dos membros dos Quandt se recusou a colaborar com os autores da reportagem e abriu uma comissão para que esclareça a história da empresa, segundo o "Financial Times Deutschland".

A imprensa italiana também indica que o motivo da extorsão da dupla suíço-italiana foi a vingança de Sgarbi pelo destino de seus parentes judeus durante o Terceiro Reich.

O jornal acrescenta que a extorsão e a reportagem televisiva poderiam levar os Quandt a estudar seus investimentos e que ninguém gostaria de que retirassem seu dinheiro das empresas do DAX em meio à crise financeira. EFE aia/db

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