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Acesso à internet é mais caro no Brasil entre países emergentes

O forte crescimento da utilização da banda larga para acesso à internet ainda não se converteu em redução de preços para o consumidor no País. Levantamento feito pela consultoria IDC coloca o Brasil no topo da lista dos países com tarifas mais altas, entre os emergentes.

Agência Estado |

Os custos pesam no bolso dos clientes, que fazem conexão tanto por meio da tecnologia oferecida pelas operadoras de telefonia fixa (ADSL) como pela das TVs por assinatura (cable modem).

A pesquisa, que usou como parâmetro as velocidades mínimas e máximas oferecidas em cada mercado, levantou o custo final para o consumidor no Brasil, Argentina, Chile, Rússia e República Tcheca. "Não seria justo comparar o Brasil com países desenvolvidos, onde o mercado já está mais maduro",explica o analista em telecomunicações da consultoria, Vinícius Caetano. Por isso, a o estudo definiu um perfil de países a serem observados. "Resolvemos, então, fazer uma avaliação junto a países emergentes da América latina e do Leste Europeu."

Ao pesquisar 15 provedores de banda larga no Brasil, a consultoria apurou que o custo médio para a velocidade mínima, de 128 quilobits por segundo (Kbps), oferecida no mercado pela conexão por operadoras de telefonia fixa era de US$ 30 em julho deste ano. Já no Chile, onde a velocidade mínima é mais que o dobro da brasileira (300 Kbps), o preço era de US$ 34,71. Na vizinha Argentina, 512 Kbps saíam por US$ 27, 05.

O descompasso é ainda maior quando confrontados os dados do Brasil com os dos países europeus em desenvolvimento. Na Rússia, por exemplo, a velocidade mínima é de 1 megabit por segundo, com preço médio de US$ 14,64. Já na República Tcheca, paga-se US$ 17,68 por 2 megas de conexão.

"No acesso mínimo de banda larga, o Brasil ainda oferece conexão de 128 Kbps , que já é ultrapassada em vários países. E, mesmo assim, o custo é maior que o de conexões com maior velocidade", comenta Caetano.

A diferença de preços também é grande quando se avalia os produtos mais sofisticados, voltados para clientes de classe A. No Brasil, a velocidade máxima oferecida no varejo, de 20 megas, exige desembolso mensal de US$ 300. Na Argentina, 5 megas saem a US$ 46,80. No Chile, por 6 megas paga-se US$ 59,70. Os internautas tchecos pagam por 8 megas de conexão ADSL US$ 53, enquanto que os russos desembolsam cerca de US$ 38 por 6 megas de conexão.

"Se na conexão mínima estamos em desvantagem na oferta de serviço, na máxima, já chegamos a 20 megas. Os demais países ainda oferecem acessos que ficam em torno de 5 a 8 megas. O preço cobrado no Brasil, no entanto, é proporcionalmente mais alto que nos países estudados", acrescenta o analista da IDC.

Via cabo

A situação não é diferente no acesso por cabo. No Brasil, o preço mínimo, para 200 Kbps, é de US$ 32,60. Já os argentinos pagam US$ 15,90 por 640 Kbps, e os chilenos, US$ 38,70 por 1 mega. "Na conexão máxima, as empresas brasileiras cobram US$ 130 por 12 megas. Na Argentina, 10 megas tem preço médio de US$ 191, que no Chile saem por US$ 69,40", revela Vinícius Caetano.

A indústria nacional do setor aponta a carga tributária como o principal vilão dos preços do acesso à internet banda larga. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet), Eduardo Parajo, a taxação na atividade de telecomunicações chega a 43% dos custos. "Assim fica difícil sair ganhando na comparação das tarifas", diz Caetano.

Parajo admite, no entanto, que ainda há pouca concorrência no setor, o que reduz a necessidade das empresas de oferecer preços mais competitivos. De acordo com ele, esta disputa poderia ser motivada por meio da redução da carga tributária ou diminuição da tarifa de importação de produtos para o setor, que segundo ele chega a 100%.

"Estas medidas poderiam atrair mais investidores para o mercado", defende ele. O analista da IDC observa que ainda há pouca concorrência no serviço de banda larga, mas acrescenta que outro motivo para o encarecimento do serviço de banda larga pode estar nas dimensões continentais do País.

"Além disso, o grau de penetração do serviço ainda é baixo no Brasil, de 13%. Em alguns dos países comparados chega a 30%", diz. "Temos que levar em conta que isto faz uma grande diferença porque o custo fixo se mantém estável", argumenta Caetano. As informações são da edição de domingo do O Estado de S. Paulo.

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