SÃO PAULO - Cinco meses após anunciar a construção de 20 hotéis em parceria com a construtora WTorre até 2011, o grupo hoteleiro francês Accor comunica que abrirá nesse mesmo período outros 40 novos hotéis no Brasil. Com isso, a Accor planeja abrir 60 novos hotéis até 2011.

Os novos empreendimentos no mercado brasileiro receberão investimentos de cerca de R$ 600 milhões nos próximos três anos. Nesse montante, já estão inclusos os investimentos em sete dos 20 hotéis a serem erguidos em parceria com a WTorre. Pela joint-venture, anunciada em abril, a construtora colocará R$ 500 milhões e a rede Accor mais R$ 100 milhões no projeto.

" Após a estagnação do setor, que foi de 2000 até 2004, a demanda voltou a crescer em 2005 no país. Hoje o Brasil é o principal mercado da América Latina, representando 50% da região " , disse Roland de Bonadona, diretor-geral da Accor para o Brasil e demais países da América Latina.

Segundo Bonadona, a maior parte das inaugurações será com as bandeiras Formule 1 e Ibis, cujas diárias médias variam de R$ 75 a R$ 97, respectivamente. A decisão de apostar nesse nicho, mais popular, é porque o segmento econômico vem registrando o melhor desempenho dentro da rede.

No primeiro semestre, enquanto o faturamento dos hotéis Formule 1 e Ibis avançou 27%, o das bandeiras Mercure e Novotel - com diárias de R$ 140 e R$ 169, respectivamente - cresceu 14%, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

O faturamento da rede Accor no Brasil, sem incluir a bandeira de luxo, Sofitel, nos seis primeiros meses somou R$ 375 milhões, uma alta de 15%, considerando o mesmo número de empreendimentos de igual período de 20007. A meta de Bonadona é chegar ao final do ano com uma receita de R$ 800 milhões . No ano passado, foi de R$ 640 milhões. " O crescimento é resultado do aquecimento da economia e do sucesso das marcas econômicas. A nossa taxa de ocupação que em 2000 era de 47% hoje é de 64% " , afirmou o executivo francês, que está à frente da operação brasileira há 18 anos.

O grupo francês trabalha com quatro modelos de negócios. Dos 146 hotéis em atividade no país, a Accor é dona de quatro, tem 47 alugados e 14 funcionando em sistema de franquia. Outros 81 hotéis são apenas administrados pela Accor. Os contratos, em geral, têm prazo de 10 anos. Na parceria com a WTorre, será de 15 anos, podendo ser renovado por mais quatro vezes.

Trabalhando com contratos de longo prazo, Bonadona informa que a crise financeira dos Estados Unidos não está provocando uma recuada em seu projeto de expansão no Brasil e América Latina. A única exceção na região, segundo o executivo, é a Argentina. " Vamos manter as três inaugurações previstas neste ano, mas paramos de comprar e prospectar terrenos na Argentina por causa dos problemas econômicos " , disse o executivo.

Na América Latina, sem considerar o Brasil, Accor tem 20 hotéis. No ano passado, lançou 13 projetos na Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai e Peru. O Brasil é o quarto principal mercado para a Accor, ficando atrás apenas da França, Alemanha e Estados Unidos, países onde a rede possui 12 bandeiras.

No Brasil, o lançamento mais recente é a bandeira Pullman, que pretende ficar entre a marca de luxo Sofitel e a bandeira de preços intermediários Mercure. Segundo o diretor-geral, o primeiro hotel Pullman será aberto no último trimestre em São Paulo. " Ainda estamos em negociação. Por isso não podemos falar o local exato do novo hotel " , disse.

(Beth Koike | Valor Econômico)

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