SÃO PAULO - Para a agência de classificação de risco Fitch Rating, a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de estender as medidas especiais de liquidez estão em linha com o esperado e vem ajudar a restabelecer a confiança do mercado. No entanto, a agência ressalta que, embora essas medidas resultem em aumento de liquidez aos bancos, elas não são permanentes. Fora isso, a Fitch mostra alguma preocupação com a utilização não equânime desses instrumentos pelos bancos.

SÃO PAULO - Para a agência de classificação de risco Fitch Rating, a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de estender as medidas especiais de liquidez estão em linha com o esperado e vem ajudar a restabelecer a confiança do mercado. No entanto, a agência ressalta que, embora essas medidas resultem em aumento de liquidez aos bancos, elas não são permanentes. Fora isso, a Fitch mostra alguma preocupação com a utilização não equânime desses instrumentos pelos bancos. Alguns aproveitam para implementar normas mais rígidas de atuação, mas outros não querem ou não podem fazer isso. Avaliando os bancos que se utilizam das janelas especiais do BCE, a Fitch notou que as instituições na Grécia e Irlanda, e de forma mais limitada na Espanha e Holanda, são as que mais utilizaram essas oportunidades. "Isso pode indicar que os bancos estão aumentando sua dependência nessas fontes de liquidez para financiamento ou como forma de elevar sua lucratividade", aponta relatoria da agência. Já os bancos da Itália e França reduziram sua demanda de instrumentos especiais em comparação com os níveis pré-crise. Os bancos na Alemanha e Bélgica reduziram sua participação proporcionalmente ao total de ajuda liberada, mas seguem como os maiores dependentes em comparação com outros países. "Uma quantidade de bancos da Alemanha e Bélgica, que são grandes utilizadores do funding do BCE no passado, estão passando por reestruturações, o que significa redução de balanço e venda de ativos." No geral, diz a agência, a utilização dessas linhas especiais provê sustentação a algumas notas de crédito na zona do euro. "Se essas linhas não tivessem sido disponibilizadas um número maior de bancos teria entrado em colapso ou visto reduções mais acentuadas de notas." A agência também alerta sobre a possibilidade de novos rebaixamentos, ainda mais para aquelas instituições que podem sofrer perdas mais acentuadas de lucratividade conforme a atuação do BCE no mercado voltar ao normal. (Eduardo Campos | Valor)

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