Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - O ceticismo em relação ao efeito do corte combinado de juros dos principais bancos centrais conduziu a Bolsa de Valores de São Paulo à quinta queda seguida nesta quarta-feira.

No final de uma sessão fortemente volátil, o Ibovespa caiu 3,85 por cento, para 38.593 pontos. Com isso, a baixa acumulada em outubro já chega a 22 por cento.

O intenso sobe-e-desce, numa sessão em que o Ibovespa oscilou entre 0,75 por cento de alta e 6,3 por cento de baixa, fez o giro financeiro atingir 7,4 bilhões de reais, o maior em três semanas.

Fracassadas as tentativas pontuais de acalmar o mercado na terça-feira, bancos centrais do mundo inteiro (incluindo Estados Unidos, União Européia, Grã-Bretanha, China, Canadá e Suécia) surpreenderam o mercado com um corte conjunto de 0,50 ponto percentual das taxas básicas.

Mas, depois de oscilarem fortemente, as bolsas de valores retomaram a preferência de, na dúvida, vender ações. Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 2,0 por cento. O principal índice europeu de ações desabou 6,1 por cento, para o menor nível em 5 anos.

Para profissionais do mercado, embora benéfica, a flexibilização monetária tem poderes limitados para restabelecer a confiança dos investidores no combalido sistema financeiro.

"É uma crise de crédito, uma crise emocial, a bolsa está emocional puro, porque tem muita incerteza no ar", resumiu Pedro Galdi, analista da corretora SLW.

COMMODITIES

Diante do fantasma cada vez mais assutador de uma desacelaração global profunda, os investidores penalizaram as ações de empresas de commodities.

Assim, Usiminas desabou 10 por cento, para 23,40 reais; Gerdau caiu 8,6 por cento, a 14,80 reais.

Arrastada pela queda do barril do petróleo para a faixa dos 88 dólares, Petrobras cedeu 5,65 por cento, para 26,70 reais.

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