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As academias paulistanas não oferecem mais somente um corpinho sarado para seus clientes. Agora, a hora de malhar também pode ser a de fazer uma limpeza facial, cortar o cabelo, dar um trato nas unhas.

As academias paulistanas não oferecem mais somente um corpinho sarado para seus clientes. Agora, a hora de malhar também pode ser a de fazer uma limpeza facial, cortar o cabelo, dar um trato nas unhas. Isso porque, esses pontos de encontro de homens com barrigas tanquinho e mulheres esbeltas vêm agregando salões de beleza, lojas de cosméticos e spas às suas unidades. É assim na Reebok, na Vila Olímpia, onde a vendedora Juliana Mattos, de 30 anos, faz supinos, abdominais, mas também apara as mechas e passa na manicure. "Em uma sexta típica, cumpro o programa de exercícios, corto o cabelo, pinto as unhas, tomo banho e vou direto para o cinema ou para um restaurante", conta. "É prático, porque não tenho de enfrentar o trânsito para ir da academia para o salão." Oferecer essa facilidade para os clientes é uma manobra comercial que atrai lucros para as redes de academia e seus parceiros (cabeleireiros, esteticistas, massagistas). "Aproveitamos um público vaidoso, com poder aquisitivo e em um momento em que estão se preocupando com a aparência, que é a hora da malhação", pontua a fisioterapeuta Andressa Storani, sócia do Nandi, spa instalado desde 2008 na Companhia Athletica do Brooklin. O espaço realiza cerca de 20 atendimentos por dia - tratamentos faciais, como peeling, e drenagem linfática estão entre os serviços mais procurados. E, de acordo com Andressa, só não são feitos em maior quantidade porque as três salas do spa não comportam a demanda crescente dos alunos. "Empolgados pelo sucesso, eu e três sócios resolvemos abrir a primeira academia-butique do Brasil na Rua Clodomiro Amazonas, no Itaim", afirma a fisioterapeuta. Com inauguração prevista para agosto, o negócio agregará equipamentos de ginástica, um consultório de fisioterapia, um salão de beleza, um spa, um restaurante, uma loja de cosméticos. "A pessoa poderá tratar de seu corpo, de sua saúde e de sua aparência em um mesmo lugar." Estratégia. Transformar-se em uma fábrica de beleza é uma manobra que as redes paulistanas vêm adotando para crescer. Uma das pioneiras nesse tipo de iniciativa, a Fórmula do Shopping Eldorado, por exemplo, dispõe de serviços de cabeleireiro há 17 anos. Já a unidade da BioRitmo em Interlagos conta com um centro de estética, onde há peeling, tratamento contra estrias, maquiagem definitiva e depilação, desde 2004. Tal estratégia não é comum apenas em São Paulo. A Companhia Athletica conta com um salão de cabeleireiro em uma unidade em Manaus, massagistas na de Brasília e centros de estética nas de Belo Horizonte, Pará e Campinas. "Diretamente, a academia nem ganha tanto", relata Macau Soares, gerente da Reebok da Vila Olímpia. Normalmente, a rede apenas fatura com o aluguel do espaço para o parceiro. As maiores vantagens são indiretas. "Na hora em que o cliente tem de optar por onde vai malhar, ele nos escolherá. Afinal, irá preferir um lugar onde pode também cortar o cabelo, passar na manicure, fazer uma massagem." Isso multiplica o número de mensalistas. Crescimento. A demanda dos clientes por esse tipo de serviço cresceu. Como resultado, têm sido feitos mais cortes de cabelo, limpezas faciais e afins em academias. Há 10 anos, o spa da Companhia Athletica do Shopping Morumbi, por exemplo, realizava 20 atendimentos mensais. Hoje, são 100. O centro de uma unidade da mesma rede em Campinas quintuplicou o número de clientes em oito anos: passou de 3 mil para 15 mil. "As pessoas querem resolver tudo cada vez mais rápido e de forma prática", analisa o cabeleireiro Edson Ferreira, dono do salão da Reebok da Vila Olímpia. "Por isso, esse tipo de negócio, que agrega vários serviços relacionados em um só lugar, faz tamanho sucesso. São empreitadas muito comuns no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, que agora chegam ao Brasil." Ele inaugurou seu espaço na academia há um mês, apenas. Porém, a procura já é grande. Por dia, são cortados cerca de 40 cabelos e seis manicures cuidam das mãos e pés de 60 clientes. "Os horários são disputadíssimos", garante Ferreira. Tanto que ele já pretende contratar mais quatro manicures para ajudar no trabalho e ainda inaugurará serviços de depilação e esteticista. Aprovação. O público apoia a novidade. "Economizo tempo", conta a gerente de marketing Marcia Regina de Oliveira (que diz ter 40 anos, mas admite estar mentindo). "Antes, precisava marcar meus tratamentos faciais aos sábados." Agora, ela, que é aluna da Companhia Athletica, agenda as sessões para depois da malhação, durante a semana. "Acho, aliás, que deveria é ter mais opções de serviços", sugere Marcia. "Em minha academia, por exemplo, falta um cabeleireiro, uma lojinha de cosméticos. É ótimo já sair da academia completamente bela e pronta para uma reunião ou uma festa." Oferecer atividades além da ginástica também faz da ida à academia um passeio. "Não venho para cá só para puxar ferro", diz a vendedora Juliana, enquanto levanta pesos na Reebok. "Faço amigos, vou ao cabeleireiro, agendo uma massagem. É o luxo que me dou."

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