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Abutres são convocados para o resgate

Howard S. Marks é o tipo de financista que, segundo as esperanças de Washington, deve ajudar no conserto dos bancos arruinados do país.

Agência Estado |

O problema é que ele não sabe ao certo se deseja assumir esse trabalho.

Marks é um ex-banqueiro que se tornou pioneiro no cemitério de Wall Street. Ele era um dos maiores atores no ramo dos investimentos de alto risco, ou "distressed investments" - dinheiro aplicado em investimentos arriscados que poucos ousariam fazer.

Com o plano anunciado na terça-feira para o apoio aos bancos, a administração Obama espera atrair investidores como Marks, que dispõe de US$ 55 bilhões às suas ordens, para que comprem ativos problemáticos dos bancos nacionais, permitindo a eles que voltem a fazer os empréstimos necessários para retomar a expansão da economia.

O governo espera, em resumo, combater parte do medo que domina atualmente o mundo das finanças com um pouco da boa e velha ganância.

Para combater a quebra, Washington espera alistar alguns dos mesmos investidores que enriqueceram durante a bolha: gerentes de fundos hedge e especialistas em aquisições corporativas.

Mas Marks e outros investidores como ele disseram que não têm pressa de participar da bagunça. Investidores de alto risco - abutres, no linguajar de Wall Street - procuram adquirir investimentos de baixo preço na esperança de obter posteriormente grandes lucros.

Mas os riscos - políticos e financeiros - parecem desafiadores até mesmo para esses abutres. Alguns deles estão preocupados em serem considerados aproveitadores que especulam às custas do dinheiro do contribuinte, mas a economia pode piorar a não ser que eles intervenham.

"Temos que nos perguntar se o negócio é atraente", disse Marks, presidente da Oaktree Capital Management, uma grande empresa de administração financeira de Los Angeles. Segundo ele, tudo depende do preço, dos termos e dos riscos.

É claro que Wall Street deseja a mesma coisa de sempre: um grande potencial de lucro aliado a um baixo risco de perdas. Mas enquanto o secretário do Tesouro Timothy F. Geithner apresentava na terça-feira o seu abrangente pacote de resgate, as perguntas não paravam de se acumular. Que tipo de ativos os bancos venderiam - e a qual preço? Qual seria o papel desempenhado pelo governo? E é claro, a maior de todas as perguntas: qual o valor real desses investimentos? Os próprios bancos enfrentam dificuldades para estabelecer o valor.

Centenas de bilhões de dólares sob a forma desses ativos estão preocupando os bancos. Até que haja uma maneira clara de livrar-se deles, a indústria e a economia como um todo devem definhar.

É aí que entram os abutres. Fundos de hedge e outras instituições dominam o ramo do investimento de alto risco, e são conhecidos pela sua inflexibilidade nas negociações. Nas últimas semanas, diversos gerentes de destacados fundos de hedge se reuniram com Lawrence H. Summers, chefe do Conselho Econômico Nacional, para debater seu interesse nos planos dessa parceria Público-Privada.

Dentre estes investidores, poucos estavam dispostos a debater seus planos publicamente na terça feira. Alguns estavam preocupados com seus próprios investidores, que incluem grandes fundos públicos de aposentadoria, temendo que eles considerassem arriscados demais os investimentos potenciais. E alguns deles não teriam permissão para adquirir tais ativos dentro dos seus próprios parâmetros de investimento.

Mas se os abutres decidirem pousar, as recompensas poderiam ser imensas. Fundos especializados em investimentos de alto risco obtiveram lucros superiores a 30% no início da década de 1990, conforme a economia se recuperava da recessão.

"Há diversos sujeitos dispostos a assumir o risco, mas eles querem também os grandes lucros", disse Chip MacDonald, sócio da firma de advogados Jones Day.

Algumas empresas de investimento particular, como a Apollo Global Management, chefiada por Leon Black, começaram suas fortunas e se estabeleceram no mercado na sequência da crise dos empréstimos e poupanças, quando a Resolution Trust, do governo, vendeu a outros investidores seus ativos a preços baixos.

Outros, como o Blackstone, uma grande empresa de aquisições corporativas administrada pelo bilionário Stephen Schwartzman, e a Paulson & Co., cujo chefe John Paulson ganhou bilhões apostando contra as hipotecas subprime, disseram aos seus investidores que estão procurando por negócios de ocasião nas ruínas do setor financeiro.

E ainda outros, como a Pacific Investment, a empresa dos grandes títulos de dívidas, e a BlackRock, outra empresa de gerenciamento monetário, podem emergir como grandes compradores dos ativos problemáticos. A Pimco e a BlackRock têm trilhões de dólares à disposição.

Howard Newman, diretor executivo da Pine Brook Road Partners, uma empresa de private equity que investe em instituições financeiras, disse que tais investidores estabelecem uma distinção entre ativos com potencial de valorização e ativos claramente tóxicos. Alguns bons ativos simplesmente não podem ser vendidos no momento devido à agitação nos mercados financeiros.

"Se o objetivo da parceria é encontrar um lugar para abrigar perdas, acho que as empresas de private equity não estarão dispostas a participar."
Alguns executivos disseram querer que o governo subsidie suas compras através de empréstimos de baixo custo. Outros disseram que o Tesouro deveria fixar um piso para as perdas em potencial.

Um modelo a ser considerado seria a venda - patrocinada pelo governo - da IndyMac Bancorp, a grande credora de hipotecas californianas que faliu no último verão. A IndyMac foi comprada no mês passado por um grupo de empresas particulares pelo valor de US$ 13,9 bilhões. Como parte do acordo, os investidores concordaram em assumir os primeiros 20% das perdas do banco, enquanto o governo seria responsável pelo restante. Apesar de os investidores potenciais desejarem comprar pelos menores preços possíveis, os bancos seriam obrigados a passar por depreciações debilitantes caso fossem vendidos a preços desproporcionalmente baixos. Tal resultado não seria do interesse do governo - e nem dos contribuintes.

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