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O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, relatou que na segunda reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), realizada hoje no Ministério da Fazenda, os empresários participantes pediram que a taxa básica (Selic) de juros caia para um dígito na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). Além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, participou da reunião o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Como a taxa está em 12,75%, o eventual atendimento do pedido dos empresários representaria uma queda de, no mínimo, 3 pontos porcentuais (para 9,75%). A próxima reunião do Copom é em março. Na reunião passada, o comitê do BC reduziu a taxa em um ponto porcentual (estava em 13,75%).

Segundo Aubert Neto, a escassez de crédito para as empresas ainda é um problema não resolvido, depois do agravamento da crise, e a taxa de juros básica piora o quadro, porque as instituições financeiras preferem aplicar os seus recursos em títulos do governo, que oferecem alta remuneração pela Selic.

O presidente da Abimaq argumentou que, com a redução da Selic em três pontos porcentuais, o governo economizaria pelo menos R$ 40 bilhões em pagamento de dívida, o que permitiria a desoneração maior dos investimentos.

Abdib

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, contou que defendeu no encontro a criação de um novo fundo de infraestrutura - de no mínimo R$ 10 bilhões - para investimentos no setor. Com esse fundo, segundo ele, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderiam fazer empréstimos-ponte para projetos de infraestrutura já aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantindo desembolsos mais rápidos até que os recursos dessa instituição sejam liberados.

Disse que os desembolsos do BNDES são demorados e que, dependendo da dimensão do investimento, a espera pode ser de oito a dez meses. Ele argumentou que os empréstimos-ponte permitiram uma folga.

CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, informou que as autoridades do governo falaram muito pouco na reunião. Ele contou que os representantes empresariais revelaram preocupação com crédito, principalmente para pequenas e médias empresas, e voltaram a criticar a atuação do Banco Central na condução da política monetária.

"Nós achamos que o BC está na cadência errada. Há espaço para uma redução mais forte da Selic", disse. Ao ser questionado sobre o que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, teria respondido, Monteiro Neto afirmou: "O silêncio do Meirelles foi muito eloquente". A reunião terminou sem nenhuma proposta, segundo relataram os empresários que participaram do encontro.

De acordo com Monteiro Neto, no encontro, cada setor fez um relato conjuntural de como a sua atividade econômica está sendo afetada pela crise. "As informações que foram trazidas refletem a dinâmica da crise", disse. O presidente da CNI disse ainda que os setores econômicos estão defendendo medidas de curto prazo, como compensação mais rápida de créditos tributários. "Por que não dar mais prazo para recolher impostos? Isso é capital de giro", defendeu.

Anfavea

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse que foi feita uma análise ampla da situação da economia no plano macroeconômico, mas que nenhuma medida específica foi discutida pelo grupo. "O governo nos chamou para ouvir", explicou.