Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Abag: governo e empresas não estão preparados para sustentabilidade

São Paulo, 11 - Nem o governo nem a iniciativa privada estão preparadas para a sustentabilidade. A opinião é do presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, lembrando que, apesar das dificuldades, muitas iniciativas têm sido tomadas.

Agência Estado |

"Empresas estão mudando sua forma de agir, de investir. Isso pode ser pouco, mas as demandas relacionadas à sustentabilidade também são novas", afirmou, antes da abertura oficial do 7º Congresso Brasileiro de Agribusiness, realizado hoje em São Paulo.

O executivo lembrou, no entanto, que o governo ainda está atrapalhado quanto ao avanço dos aspectos legais que possam dar mais garantias e segurança às iniciativas das empresas. "O setor está disposto a deixar o atraso para trás. As coisas estão mudando, e rapidamente", disse Lovatelli.

Na avaliação da diretora da Abag, Mônika Bergamaschi, o Brasil terá de escolher entre ser simplesmente o pulmão do mundo ou promover o desenvolvimento sustentável de todas as regiões. "Caso contrário será uma questão de tempo o agravamento da fome e dos problemas energéticos do mundo", afirma Mônika.

Ela cita como exemplo de falta de critérios a legislação que trata do código florestal, que é da década de 60. "O agronegócio começou a se desenvolver a partir da década de 70, com a chegada da soja. A própria Embrapa é da década de 70", afirma. Para ela, o Brasil criou uma série de amarras e regras que estimulam a ilegalidade e que dificultam a própria fiscalização de quem deveria fazê-lo.

A Abag divulga ainda hoje recomendação a respeito das mudanças climáticas previstas para o Brasil nos próximos anos. A entidade vai recomendar que sejam feitos estudos estratégicos necessários para que o agronegócio sinta da forma mais branda possível os efeitos dessas mudanças. Estudos realizados pela Unicamp e Embrapa sinalizam que o aquecimento global poderá provocar reduções nas áreas agrícolas e prejuízos de R$ 7,4 bilhões em 2020, podendo chegar a R$ 14 bilhões em 2070.

Mercado

Para Lovatelli, as exigências dos mercados consumidores devem fazer com que a desconsideração pela sustentabilidade no agronegócio deixe fora do mercado quem não adotar as regras que estão sendo cobradas. "Quem vai definir as regras é o mercado. Não vejo essas cobranças como um problema, mas como uma oportunidade", disse o presidente da Abag. Para ele, o Brasil atingiu um patamar que o coloca em uma posição de ser cobrado e para assumir responsabilidades diante do mundo.

Ele lembrou da iniciativa de empresas processadoras e exportadoras de soja, como uma das existentes para mostrar que o Brasil está atento à questão da sustentabilidade. "Essa foi uma iniciativa para atender o que o mercado quer. A Europa não quer soja plantada na Amazônia, mesmo que a legislação brasileira permita que 20% das áreas sejam exploradas", disse.

Segundo Lovatelli, a moratória da soja foi ampliada em mais um ano e o próximo passo será pedir que o governo faça parte da iniciativa, se juntando às empresas. "Pretendemos conversar com as secretarias de meio ambiente dos Estados e buscar o aprimoramento do monitoramento das regiões fiscalizadas", disse Lovatelli, que também preside a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG