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A saga Porsche-Volkswagen chega ao fim e ações da VW disparam

Uma saga política, industrial e familiar chega ao fim: a montadora Porsche assegurou a tomada de controle de sua grande prima Volkswagen depois de ter tecido pacientemente a sua teia durante três anos.

AFP |

Nesta terça-feira na Bolsa de Frankfurt, a ação da Volkswagen, número um européia do setor automobilístico, atingiu patamares inéditos, superando os 1.000 euros. Essa disparada se explica pelas compras de pânico dos fundos de investimento, que apostaram na queda, perderam, e devem cobrir com urgência sua posição, não importa a que preço.

A Porsche, que produz 100.000 carros por ano, anunciou no domingo que assumiu direta e indiretamente cerca de três quartos do capital em ações da VW, que produz mais de seis milhões veículos por ano.

"Não somos ativos no mercado", declarou um porta-voz da Porsche. Esses movimentos erráticos não têm influência na evolução da tomada de controle da VW. "Fazemos as coisas tranqüilamente", afirmou à AFP.

A disparada das ações VW é apenas o último capítulo de uma história rica em reviravoltas.

Em setembro de 2005, a Porsche anunciava de maneira surpreendente a sua intenção de adquirir 20% do capital da fabricante do Golf, com a intenção declarada de protegê-lo de uma eventual investida hostil de um grupo estrangeiro, rumor recorrente na época, e tornar mais segura a sua cooperação com o grupo, principalmente no setor das picapes.

Para isso, a empresa de Stuttgart progrediu passo a passo, e muitas vezes na surdina, o que lhe valeu diversas críticas. Porque quanto mais ações adquiria, também assegurava opções sobre as ações que poderia exercer quando quisesse.

Ultrapassada a barreira dos 30%, a Porsche lançou uma oferta pública de compra sobre a Volkswagen como a lei a obrigava, mas ao preço mais baixo possível. A iniciativa fracassou, e isso era tudo o que a Porsche queria.

Enquanto isso, o presidente da Porsche, Wendelin Wiedeking, chocou os funcionários da Volkswagen ao tentar romper com o modelo de cogestão, que dá aos sindicatos um direito de veto sobre qualquer decisão estratégica dentro do grupo, muito atrelado à cultura da Volkswagen.

O presidente mais bem pago da Alemanha teve que reconhecer que fazer da Volkswagen "uma empresa normal" não era uma coisa fácil. Tanto que a política não deu certo.

A justiça européia havia condenado em outubro de 2007 a "lei Volkswagen", que aprisionava o capital da empresa.

Mas prestes a entrar em confronto com a Comissão Européia, Berlim preparou uma nova lei, que assegurava -a seu ver de forma legal- um veto dos poderes públicos, via Baixa-Saxônia, sobre as decisões estratégicas da empresa.

A chanceler conservadora Angela Merkel assegurou o seu apoio aos funcionários aceitando recentemente participar de uma reunião do comitê de gestão do grupo, em Wolfsburg.

A história é também a de uma família, na qual as disputas são travadas há décadas.

Os dois primos magnatas e proprietários da fabricante de carros de luxo Porsche, Wolfgang Porsche e Ferdinand Piëch, puseram fim as suas desavenças recentemente sobre a maneira de se organizar a aproximação.

Os dois são herdeiros de Ferdinand Porsche, fundador do grupo, e também criador durante o período nazista do "carro do povo" (Volkswagen em alemão), a pedido de Adolf Hitler.

ilp/dm/sd

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