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A restrição à carga que mexe com todos

A ampliação da área de restrição a caminhões em São Paulo - de 25 m² para 100 km² dentro do centro expandido - completa hoje um mês, em meio a dúvidas sobre benefícios e danos. Os primeiros índices da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam queda nos congestionamentos, mas os críticos dizem que isso só vai durar até a volta total das aulas, em 4 de agosto.

Agência Estado |

Certo é que ela começa a mudar os hábitos dos paulistanos, mesmo dos que não dirigem.

Desde 30 de junho, caminhões só podem trafegar na área de restrição das 21 às 5 horas. Os Veículos Urbanos de Carga (VUCs) estão sujeitos a um rodízio para circular nesse perímetro, das 10 às 16 horas. A CET aponta melhora de 35% nos índices de lentidão nos horários de pico pela manhã. À noite, houve pouca diferença.

Em muitos casos, a restrição afeta regras do dia-a-dia. A psicóloga Maysa André, de 50 anos, vai se mudar em dois dias. A transportadora vai utilizar VUCs. "Nos dois condomínios, mudanças são proibidas antes das 10 e após as 17 horas", diz. As empresas de mudanças conseguiram liberação da Prefeitura. No entanto, precisam entrar na zona de restrição após as 10 horas e deixá-la antes das 16 horas. "A gente não consegue terminar tudo em um dia", diz Roberto Granero, presidente do grupo Granero, multado 200 vezes desde o início da restrição. Outro braço da empresa passou a realizar entregas apenas à noite, o que elevou os custos.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp) estima que os gastos das operações cresceram 15% com a restrição. "O prefeito deve liberar os VUCs, ou vai ficar impossível fazer as entregas", diz o presidente da entidade, Francisco Pelúcio.

No início da restrição, os supermercados ameaçaram repassar aos consumidores o aumento nos custos com transporte, o que não ocorreu. " Se aumentarem os preços na área de restrição, os consumidores vão comprar mais barato fora dessa área", diz o vice-presidente da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Martinho Paiva Moreira, que aponta alta de 10% na folha de pagamento com horas extras e de 25% no frete.

Os feirantes também sentem o impacto da restrição. De terça a sexta-feira, Alberto Ajaj Rahal, de 42 anos, chega às 4 horas à feira do Pacaembu, na zona oeste, e vai embora às 14 horas. "Sempre vou por vias onde acho que não tem marronzinho e, nas Marginais, tento ir pelas faixas laterais para esconder a placa atrás de outros carros." Ele recebeu três multas e quer largar a profissão.

Os taxistas comemoram a melhora no trânsito. "A gente vai mais rápido e as corridas saem mais barato. Ganhei até um cliente fixo, que começou a ir de táxi para o trabalho", conta o taxista Carlos Alberto Ferreira.

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