A política de taxas de juros próximas a zero adotada pelos bancos centrais americano e japonês é o último cartucho para se evitar uma recessão prolongada mas, no passado, nem sempre deu resultados, em particular, no Japão.

O Federal Reserve americano (Fed) surpreendeu semana passada levando sua taxa de juros a um patamar entre 0% a 0,25%, o nível mais baixo jamais praticado.

O Banco do Japão (BoJ), com taxas próximas de zero nos últimos dez anos, reduziu ainda mais as suas na sexta-feira a 0,10% contra 0,30% anteriormente.

O Fed e o BoJ se lançam, então, numa "cirurgia pesada", como destaca Jean-Paul Betbèze, diretor econômico do Crédit Agricole.

Para eles, a urgência é evitar a qualquer preço a deflação, isto é, uma baixa prolongada dos preços que minaria por longo tempo toda a atividade econômica e retardaria a retomada.

O governador do Fed, Ben Bernanke, especialista em Grande depressão, põe em prática princípios que editou a partir de 2002.

Num discurso, citou principalmente o prêmio Nobel Milton Friedman afirmando que os governos deveriam "atirar dinheiro de helicóptero" para contra-atacar os riscos de deflação, o que lhe valeu o apelido de "Bernanke o helicóptero".

Resta a saber se esta arma vai funcionar nos Estados Unidos, enquanto o arquipélago nipônico caiu em deflação no início dos anos 90 e jamais conseguiu verdadeiramente se safar, apesar de sua política de taxas nulas entre 2001 e 2006.

A partir de 2003, ao final da crise precedente, o Fed foi acusado de ter espalhado os germes da crise atual mantendo as taxas de juros muito baixas por muito tempo.

A zona euro, onde os juros são ainda de 2,50%, no entanto, está ainda longe de uma tal política.

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