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À luz da crise, BC reafirma compromisso de conter inflação em 2009

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) reiterou hoje que seu objetivo imediato é trabalhar para reduzir a inflação a 4,5% em 2009. Mas admitiu que está difícil reverter a piora nas expectativas do mercado, carregadas pelo agravamento da crise externa e pela surpresa ruim do aumento dos preços além do esperado em 2008.

Valor Online |

"Não há nada de agressivo ou ambicioso" na estratégia de fazer a inflação convergir para a meta no ano que vem, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita. "O Banco Central mantém o compromisso de fazer o necessário para controlar a inflação", repetiu.

Mas ele não quis adiantar uma avaliação sobre os efeitos da crise externa sobre o comportamento dos preços em 2009, informando que isso será feito em dezembro próximo.

No Relatório trimestral de Inflação divulgado hoje, o BC elevou de 4,7% para 4,8% sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) no ano que vem. Também aumentou a previsão para 2008 de 6% para 6,1%, prevendo recuo a 4,6% no terceiro trimestre de 2010.

Com o foco no ano que vem, Mesquita citou que o ligeiro ajuste para cima no IPCA decorre do fato de que as expectativas do mercado ainda não recuaram como a autoridade monetária gostaria. Ao elaborar a projeção de junho, a média das expectativas era de 4,66% para o IPCA em 2009. Na estimativa divulgada hoje, a média era de 4,99% no último dia 12, quando ficou pronto o relatório de setembro, informou.

Segundo ele, a resistência na queda das expectativas decorre de dois fatores: o primeiro é que o mercado e os analistas "foram surpreendidos" com a inflação em patamar superior ao que esperavam, em 2008. "Talvez não queiram ter surpresas de novo", comentou.

O outro ponto é a crise externa. "A volatilidade do cenário externo é outro fator de cautela para a revisão das expectativas inflacionárias", disse o diretor do BC.

Ele voltou a mencionar que o criticado retorno da trajetória de juros elevados em abril último, mostrou-se positivo para deter a escalada dos preços do primeiro semestre. "Para cortar a propagação dos danos da deterioração da inflação em 2008, a política monetária foi importante", acentuou.

Mas o BC aponta que ainda há descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e o da oferta. Também destaca que o repasse de aumento de preços é mais rápido na indústria do que na área agrícola, o que sinaliza risco inflacionário.

Para o cenário de referência de previsão da inflação, o BC pressupõe a manutenção da taxa básica de juros no patamar atual de 13,75% anuais, elevando a taxa de câmbio de R$ 1,65 no relatório de junho para R$ 1,80.

A desvalorização do real e de outras moedas frente ao dólar americano, como consequência da piora da crise financeira internacional, é um dos fatores citados no relatório como risco inflacionário para o ano que vem.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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