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A difícil tarefa de demitir um amigo

Muitos líderes de equipe se depararam nos últimos meses com uma tarefa difícil: avisar a seus funcionários que alguns seriam demitidos. A situação se torna ainda mais complicada quando, na lista de demissões, está o nome de algum amigo pessoal.

Agência Estado |

"Isso está acontecendo em várias empresas", conta o diretor da consultoria especializada em gestão de carreiras BPI do Brasil, Gilberto Guimarães. "Se não é possível salvar um emprego, o gestor deve escolher muito bem as palavras a usar, se quiser ao menos manter a amizade."

A gerente de uma divisão de negócios em uma indústria química, que preferiu não se identificar, conta que foi demitida em novembro pela mesma amiga que a havia contratado três anos antes. "Ela já havia me contado, fora do escritório, que a situação era complicada. Mas a notícia da demissão eu só soube junto com os outros cortados", relata.

O fato acabou gerando pânico no departamento. "As pessoas diziam: Se a amiga da fulana foi cortada, imagina o que vai acontecer com o resto de nós. Não tive mordomias. Infelizmente, às vezes temos de passar por isso."
Recentemente, ela conseguiu recolocação em outra empresa do ramo. "A amizade sobreviveu. Admito que senti raiva no começo, me senti enganada. Mas entendo que ela não teve muitas opções. Depois do corte, ela me mantinha informada sobre o que sabia de novidades no mercado."

Guimarães explica que é normal o demitido sentir raiva, depois culpa e tristeza. "Se tiver de demitir um amigo, seja breve. Perder o emprego é um processo quase tão pesado psicologicamente quando perder um ente querido, portanto evite aumentar a situação. Demissão não é terapia."

João Márcio de Souza, diretor da consultoria de recrutamento Hays, diz que transparência é fundamental. "O RH deve estar envolvido, os funcionários devem saber qual a situação da empresa. Fingir que está tudo bem, depois demitir a todos é um procedimento inadequado."

Para ele, a crise acaba tornando menos difícil anunciar que um amigo está demitido. "A crise acaba sendo uma justificativa. É mais difícil demitir em um momento de pujança, quando não há uma razão que não o desempenho do funcionário." Souza afirma ser interessante conversar com o amigo fora do local de trabalho e deixá-lo a par da dificuldade do momento. "E nunca deixar que ele seja o último a saber."

Guimarães, da BPI, diz que o "chefe amigo" estimula o colega a procurar novas oportunidades a partir do primeiro momento. "Nunca diga coisas como doeu tanto em mim quanto em você, não chore junto, não culpe a empresa. Escute muito. Nessa hora, a relação é profissional." Fora da empresa, visita e telefonemas de apoio são educados.

Os consultores esperam, no entanto, que esse tipo de situação não se agrave nos próximos meses. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que o número de demissões no início do ano deverá ser menor do que as cerca de 650 mil dispensas realizadas em todo o País em dezembro, conforme dados do próprio ministério. Segundo ele, os dados de cortes do mês passado devem ser divulgados até o dia 20.

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