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A brecada da economia chinesa

A companhia Maanshan de Ferro e Aço inaugurou recentemente uma gigantesca siderúrgica de US$ 3 bilhões nos arredores de Nanjing, na China. A siderúrgica, que ocupa uma área de 3.

Agência Estado |

880 metros quadrados e tem usina elétrica e porto próprios, foi construída para ajudar a satisfazer o insaciável apetite de expansão do país.

Mas, durante o que deveria ter sido um período de pico da produção, há duas semanas, a usina silenciou. "A demanda está definitivamente encolhendo", comentou Wang Wei, um gerente de Relações com os Investidores. "Todo mundo decidiu reduzir a capacidade."

Tudo está acontecendo mais rapidamente do que se previa: a economia da China, há muito tempo a que mais cresce no mundo, começou a reduzir o ritmo. Os economistas prevêem que, depois de crescer a uma taxa de quase 12% no ano passado, no quarto trimestre de 2008 poderá baixar para 5,5%.

Na semana passada, as autoridades alertaram para o risco de aumento de empréstimos podres e funcionários da área do trabalho manifestaram publicamente o temor de que demissões em massa provoquem uma onda de agitações no país. "É a rapidez da desaceleração que apavora as pessoas", diz Liang Hong, economista da Goldman Sachs, que recentemente supervisionou companhias chinesas.

A recessão americana é uma das principais razões pela quais a extraordinária expansão da China está ameaçada: como os americanos compram menos, a China vende menos. E as iniciativas para manter a economia aquecida, mediante o pacote de estímulo de 586 bilhões, talvez não consigam contrabalançar a queda da demanda, na medida em que a recessão americana se agrava.

A crise global já atinge a indústria de transformação, o coração do país - aço, cimento e construtoras -, provocando a suspensão de dezenas de projetos de investimento de bilhões de dólares. A queda violenta dos preços dos imóveis residenciais, associada a um virtual congelamento global dos investimentos, produziu uma redução dos pedidos de aço, a queda livre dos preços do aço e o aumento dos estoques e dos prejuízos.

Das regiões litorâneas até o interior, o boom agressivo da construção na China deixou de ser agressivo. Na província de Hebei, no norte do país, a Capital Steel, uma das maiores siderúrgicas chinesas, está construindo um complexo de US$ 10 bilhões em uma ilha, embora seus lucros estejam evaporando.

Na cidade de Hangzhou, no leste da China, a Vanke, uma enorme imobiliária, está gastando mais de US$ 1 bilhão na construção de escolas, hospital e milhares de casas, em um momento em que verifica um acentuado declínio das vendas.

Em Macau, a construção parou totalmente em um dos maiores empreendimentos imobiliários do mundo - um grande complexo de cassino e hotel cujo custo foi estimado em US$ 20 bilhões - por causa de um enorme endividamento. Cerca de 10 mil pessoas poderão perder o emprego. Segundo as autoridades chinesas, o país enfrenta uma situação sombria.

Dados divulgados nas últimas semanas começam a revelar as dimensões da desaceleração. Este ano, as vendas de imóveis residenciais nas grandes cidades despencaram cerca de 40% em comparação com 2007. Em outubro, a receita do governo baixou. No mês passado, a produção industrial teve a menor expansão em sete anos.

"A expansão está se reduzindo rapidamente", afirma Andrew Driscoll, analista de recursos da China no banco de investimentos CLSA. "Não estamos dizendo que o crescimento da China está indo para trás, mas, quando a oferta está preparada para um crescimento de 10% e ela se reduz para 5%, haverá uma oferta excedente".

Alé m do maior pacote de estímulo econômico de sua história, a fim de dar respaldo a setores em dificuldade - aço, cimento e construção -, o governo aprovou também medidas de emergência, como benefícios fiscais e políticas habitacionais. Segundo um funcionário de alto escalão em Pequim, o governo poderá gastar mais que US$ 586 bilhões.

O governo central promete rápidas aprovações para que os governos locais possam construir casas subsidiadas, ferrovias e aeroportos e até usinas nucleares. Investimentos em ativos fixos - ou gastos com imóveis residenciais e fábricas, por exemplo - representam cerca de 45% da economia da nação e esse é o objetivo da iniciativa, segundo os analistas.

Há poucos meses, os líderes chineses advertiram que o crescimento estava excessivamente acelerado e ameaçava alimentar a inflação. Agora, declaram que querem fazer a sua parte para impedir que a economia global caia na recessão.

Nos Estados Unidos, os consumidores deixaram de gastar. Partes da Europa já estão em recessão, assim como a Ásia, incluindo Japão e Hong Kong. O efeito dominó está sendo sentido em toda China. Muito afetadas, as companhias aéreas e a indústria automobilística apelaram para a ajuda governamental. Os governos locais, que arrecadaram milhões de dólares com os leilões de direitos de propriedade da terra, recebem ofertas menores e deparam-se com declínio das vendas.

O setor siderúrgico é o que está em piores condições. A redução da demanda obrigou muitas fábricas a parar. Os fornecedores de minério de ferro da Austrália e do Brasil, que obtiveram enormes lucros com o boom da construção na China, dizem que a demanda no país encolheu consideravelmente.

Na siderúrgica Maanshan, os executivos estão analisando o que aconteceu a partir de meados do ano. Em junho, o preço médio do aço da Maanshan atingiu o pico de US$ 768 a tonelada. Em novembro, chegou a cair para US$ 490. Mas os executivos da companhia estão esperançosos com o pacote do governo. "Estou bastante otimista", comentou Hu Shunliang, secretária do conselho da Maanshan. "Não é teatro, estimulará de fato outros setores e nos trará mais investimentos."

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