Imagine um local de trabalho em que todos os cargos mais atraentes, todas as bonificações e todas as promoções se destinassem a parentes, amigos e outros membros do círculo restrito dos executivos. Numa organização que se preze, a prática não seria tolerada.

Em geral, as empresas afirmam ser meritocracias, declarando premiar, reconhecer e promover os funcionários com base no seu desempenho no trabalho, e não no seu pedigree escolar, suas relações políticas ou outros critérios não baseados no mérito. Em uma meritocracia, a promoção não depende de quem você conhece; ela se baseia no que você realizou.

No entanto, apesar do que se fala hoje a respeito da concessão de prêmios aos funcionários com base em seus resultados, há uma área em que ainda é atribuída uma grande importância a quem o funcionário é, e não àquilo de que é capaz. E é a contratação. As companhias ainda recorrem em grande parte às suas redes pessoais para encontrar e examinar os candidatos para uma oportunidade de emprego. As pessoas que procuram trabalho têm seguido essa tendência, buscando e desenvolvendo suas relações de acordo com o princípio predominante, segundo o qual ou elas pertencem a determinadas redes ou não encontrarão emprego.

Intuitivamente, o recurso às redes profissionais tem sentido. Haverá uma maneira melhor de encontrar candidatos para determinados cargos que não seja mediante referências de um amigo de confiança, um colega ou um parente? Entretanto, esse princípio racional acabou sendo distorcido com o tempo, porque algumas companhias e profissionais o levaram ao extremo.

Basta ver as redes sociais online, como a LinkedIn, que criaram uma espécie de avaliação eletrônica em sua atividade de networking. O LinkedIn pode ser uma ferramenta muito eficiente, desde que os membros sejam criteriosos na hora de escolher as pessoas que farão parte de suas redes profissionais.

Alguns acabam mesmo criando redes profissionais maiores do que as populações de certas pequenas nações em desenvolvimento. Será que estes megalomaníacos do LinkedIn conhecem mesmo tão bem centenas de pessoas a ponto de estarem dispostos a colocar sua reputação online e garantir a competência profissional de toda a sua rede? Há ainda executivos e empresas de recrutamento de profissionais que recebem um número excessivo de solicitações e procuram atalhos para identificar os candidatos mais qualificados para um cargo. Então recorrem a redes profissionais para alimentar sua oferta de candidatos, confiantes de que por meio desses canais terão a garantia de que as pessoas encontradas não serão de todo estranhas.

E é aí que está o problema: Como a definição de "redes" de pessoas se expandiu e agora inclui não apenas colegas conhecidos ao longo de uma década, mas praticamente qualquer um que encontram na rua, a qualidade dessas conexões se diluiu.

Quando as companhias procuram preencher vagas, não devem subestimar o fato de que contratar candidatos fora da rede pode ser muito benéfico. Ocorre que a gente nunca sabe quando o próximo Warren Buffet, Sam Walton ou Herb Kelleher baterá à sua porta. Sua companhia procura pessoas dinâmicas, empreendedoras, que enfrentam os desafios de peito aberto e sabem conseguir resultados? Pois estas pessoas não se limitam às suas redes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.