Quando se pensa no Canadá, que qualidades vêm à mente? O preservador da paz mundial, a nação amistosa, um contrapeso liberal às crenças mais rudes de seu vizinho do sul, decente, civilizado, bem governado? Pense novamente. O governo desse país está se comportando agora com toda a sofisticação de uma festa de chimpanzés.

O Canadá se tornou tão espantosamente destrutivo e meus amigos canadenses, tão insistentes, que eu embarquei neste voo, quebrei minha proibição auto-imposta de voar e vim para Toronto.

Pois aqui estou eu, observando o admirável espetáculo de uma nação bela e culta se transformando num petro-Estado corrupto. O Canadá está recuando de uma economia diversificada para a dependência de um único recurso primário, que acontece de ser a mais suja commodity conhecida pelo homem. O preço da transição é a brutalização do país, é uma campanha contra o multilateralismo tão selvagem quanto outras movidas por George W. Bush.

Até agora, acreditava que a nação que mais fizera para sabotar o acordo sobre mudanças climáticas eram os EUA. Estava errado. O vilão é o Canadá.

Em 2006, o governo canadense anunciou que abandonava suas metas de redução dos gases-estufa nos termos do Protocolo de Kyoto. Nenhum outro país que havia ratificado o tratado fez isso. O Canadá deveria reduzir suas emissões em 6% entre 1990 e 2012. Em vez disso, eles já as aumentaram em 26%. E, pior, a redução futura a que o Canadá se propôs é menor que a de qualquer outra nação rica.

Depois de fazer pouco de Kyoto, o Canadá se empenha em impedir que as outras nações cheguem a um acordo sucessor. No final de 2007, ele isoladamente bloqueou uma resolução da Commonwealth (a Comunidade das Nações britânica) para apoiar metas obrigatórias para nações industrializadas. Após as conversações sobre clima na Polônia, em 2008, ele ganhou o prêmio de Fóssil do Ano, oferecido por organizações ambientalistas ao país que mais tivesse feito para prejudicar as conversações.

Em junho deste ano, a mídia obteve documentos oficiais canadenses mostrando que o governo estava tramando para dividir os europeus. Na semana passada, os chefes de governo da Commonwealth batalharam (e por fim venceram) contra obstruções do Canadá. Agora, começou uma campanha para expulsar o Canadá do grupo.

Em Copenhague, na próxima semana, esse país fará tudo que estiver ao seu alcance para arruinar as conversações. O resto do mundo deve fazer tudo que estiver ao seu alcance para contê-lo. O Canadá hoje ameaça o bem-estar do mundo.

Por quê? A resposta é simples: o Canadá está desenvolvendo a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Eu falei petróleo? Trata-se na verdade de uma mistura imunda de betume, areia, metais pesados e produtos químicos orgânicos tóxicos. As areias betuminosa estão sendo extraídas pela maior operação de mineração a céu aberto da terra - uma área do tamanho da Inglaterra, com florestas virgens e pântanos. Aquilo já parece cena do fim do mundo: os mineradores estão criando um inferno negro numa escala inimaginável.

Para extrair petróleo, a mistura precisa ser aquecida e lavada. Três barris de água são usados para processar um de petróleo. A água contaminada é mantida em vastas lagoas, algumas tão tóxicas que as companhias empregam pessoas para retirar os pássaros mortos da superfície. Elas vazam venenos orgânicos, arsênico e mercúrio para os rios. Refinar areias betuminosas requer duas a três vezes mais energia que refinar petróleo cru. As companhias que as exploram queimam gás natural suficiente para aquecer 6 milhões de casas. A operação de areias betuminosas é a maior fonte industrial isolada de emissões de carbono do mundo.

O Canadá não agiu sozinho. A maior arrendatária nas areias betuminosas é a Shell, que gastou milhões persuadindo o público de que ela respeita o ambiente. Outra grande enganadora, a BP, investiu na construção de usinas. O banco britânico RBS emprestou ou reservou 8 bilhões de libras (US$ 13,3 bilhões) para a mineração de areias betuminosas.

Não pretendo dizer que esse país é o único obstáculo a um acordo em Copenhague - mas é o maior. Parece estranho escrever isso. A ameaça imediata ao esforço global não vem da Arábia Saudita, do Irã ou da China. Vem do Canadá. Como isso poderia ser verdade?

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