São Paulo - No primeiro bimestre deste ano, 450 mil trabalhadores perderam o emprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aumentando o contingente de desempregados para 2,756 milhões de pessoas.

Foram 229 mil em fevereiro e 221 mil em janeiro nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Distrito Federal (DF). Somente na capital baiana, a taxa de desemprego permaneceu estável em 19,4% em fevereiro. Desses 450 mil desempregados, cerca de 316 mil estão na região metropolitana de São Paulo.

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 13,5% em fevereiro, aproximando-se do patamar registrado há 12 meses (13,6%). "Retrocedemos ao patamar de fevereiro de 2008. Não me surpreenderia se, em março, atingirmos uma taxa de 14,3%, igual à de março de 2008, a não ser que ocorra algum milagre", disse o coordenador da pesquisa pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.

A coordenadora do levantamento pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, confirmou que a expectativa é a mesma para o desemprego nas seis regiões metropolitanas que fazem parte do estudo. "Tudo indica que o desemprego vai crescer em março", afirmou.

Segundo os pesquisadores, a intensidade da perda de vagas nos últimos dois meses foi surpreendente. O desemprego na região de São Paulo foi de 12,5% em janeiro para 13,5% em fevereiro. Nas seis regiões metropolitanas, foi de 13,1% para 13,9% em fevereiro. "O que preocupa, além da intensidade da eliminação de vagas, é a falta de perspectiva de aumento do emprego nos próximos meses. A crise não é algo sazonal e não sabemos quanto ela vai durar", destacou Patrícia.

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas subiu para 13,9% em fevereiro ante 13,1% registrados em janeiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira. O crescimento foi o mais intenso para o mês desde o início da série histórica, iniciada em 1998. Em fevereiro de 2008, o desemprego estava em 14,5%.

Nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal o contingente de desempregados foi estimado em 2,756 milhões de pessoas, ou seja, 136 mil a mais do que o registrado em janeiro deste ano.

O rendimento médio real dos ocupados ficou relativamente estável e variou 0,2% em janeiro de 2009 ante dezembro de 2008, passando para R$ 1.193,00. O indicador subiu 3,6% ante janeiro de 2008.

O nível de ocupação caiu 1,3% em fevereiro ante janeiro, mas subiu 1,6% em relação a fevereiro de 2008. A massa de rendimento dos ocupados, que combina ocupação e rendimento, caiu 1,1% em janeiro deste ano ante dezembro do ano passado e subiu 6,3% ante janeiro de 2008.

São Paulo

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo subiu pelo segundo mês consecutivo e passou para 13,5% em fevereiro, segundo dados da Fundação Seade e do Dieese. A intensidade da alta do desemprego na região surpreendeu os pesquisadores, uma vez que a taxa estava em 12,5% em janeiro. Em fevereiro do ano passado, o desemprego estava em 13,6%.

O contingente de desempregados da região metropolitana de São Paulo foi estimada em 1,397 milhão de pessoas, o que representa um número 92 mil a mais que em janeiro. O rendimento médio real dos ocupados subiu 0,8% em janeiro ante dezembro, e 1,5% ante janeiro de 2008, passando a valer R$ 1.229,00.

O nível de ocupação na região caiu 2% em fevereiro ante janeiro, mas subiu 0,7% ante fevereiro de 2008. A massa de rendimento dos ocupados, indicador que combina rendimento e ocupação, caiu 0,8% em janeiro ante dezembro, e apresentou aumento de 4,2% ante janeiro de 2008.

Indústria

Os coordenadores destacaram também que o desemprego tem sido "particularmente cruel" no setor da indústria. Em São Paulo, o setor registrou perda de 70 mil vagas em fevereiro, queda de 4,1% no nível de emprego ante janeiro.

A indústria emprega na região metropolitana de São Paulo, atualmente, 1,638 milhão de pessoas, 25 mil a menos do que em fevereiro de 2008. Este é o único segmento que já registra queda no número de ocupados até mesmo na comparação com fevereiro de 2008 (-1,5%).

Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, a queda de ocupados na indústria foi de 2,9% em fevereiro ante janeiro e de 1% ante fevereiro de 2008. Nessas regiões, a indústria também é o único setor que já registra menor número de ocupados na comparação com fevereiro de 2008.

Não por acaso, o desemprego na RMSP cresceu mais na região industrial do Grande ABC do que na capital paulista e nos demais municípios da região. Saiu de 10,7% em janeiro para 12,3% em fevereiro. Na capital, a taxa subiu de 11,2% para 12,3%. Nos demais municípios da região, de 14,2% para 15%.

"A indústria funciona como um motor para os outros setores e, se o emprego continuar a cair na indústria, a tendência é que o desemprego cresça também no comércio e nos serviços", explicou Patrícia. "O mercado de trabalho é um instrumento estratégico para manter o consumo e, por consequência, o crescimento econômico. Se o nível de ocupação cair, a massa de rendimentos também cai e perdemos o nosso grande trunfo, que é o mercado interno."

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