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As 15 etnias indígenas que vivem às margens do Rio Xingu, no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, continuam mobilizadas para uma grande manifestação contra a Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no Pará. A mobilização deve ocorrer na Aldeia Piaraçu, reserva Capoto-Jarina, em Mato Grosso, antes do leilão previsto para o dia 20.

As 15 etnias indígenas que vivem às margens do Rio Xingu, no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, continuam mobilizadas para uma grande manifestação contra a Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no Pará. A mobilização deve ocorrer na Aldeia Piaraçu, reserva Capoto-Jarina, em Mato Grosso, antes do leilão previsto para o dia 20. A informação é do cacique Kaiapó Megaron Txcurramãe. A data ainda não foi definida porque, segundo ele, por enquanto, os "guerreiros" estão participando de manifestações organizadas por ambientalistas e indigenistas. No próximo domingo, 11, eles participam da manifestação em São Paulo com a presença de Raoni Txcurramãe. Na segunda-feira, Raoni participa de outra manifestação, em Brasília. Nos dias 14 e 15, os povos da Volta Grande do Rio Xingu realizam outra manifestação em Vila Ressaca, a duas horas de Altamira, coma presença dos povos indígenas de Mato Grosso. "Nós não vamos desistir da luta", avisou Megaron. O cacique disse que ficou muito contente com as ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal do Pará contra a Belo Monte. Na ação, os procuradores pedem a anulação da licença prévia concedida pelo Ibama. O MPF também quer o cancelamento do leilão porque o governo teria desobedecido as exigências do Conselho Nacional do meio Ambiente (Conama) na licitação de hidrelétricas, que determinam que o projeto só pode ir à leilão após a licença de instalação. Debate. O pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Francisco Hernandez, criticou duramente ontem o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, durante debate promovido pela Rede Vida. Durante a discussão, Hernandez e representantes da Igreja Católica rebateram a avaliação do governo de que a construção da usina será positiva para o desenvolvimento local e terá impactos ambientais atenuados. Em defesa do governo, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o projeto sofreu modificações desde a primeira proposta, na década de 80. A indicação da construção de seis usinas no local, por exemplo, foi abortada. "O setor abdicou de cinco usinas que vão fazer muita falta, mas foi uma decisão em prol do meio ambiente." Para o bispo do Xingu, Erwin Kräutler, que também é presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), as consequências negativas para a região e para a população não justificam a obra. "Falar só das coisas boas é meia verdade, e meia verdade é mentira", criticou.
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