Tamanho do texto

Nas etiquetas, funcionários da terceirizada Bravo Tekstil relatavam três meses sem pagamento de salário e conduziam consumidor a campanha; veja

Brasil Econômico

Empresa espanhola Inditex, dona da Zara ainda não se posicionou sobre o ocorrido
shutterstock
Empresa espanhola Inditex, dona da Zara ainda não se posicionou sobre o ocorrido

Clientes encontraram em algumas unidades da rede de vestuário Zara em Istambul , na Turquia, roupas que continham recados de funcionários em suas etiquetas.  Nas mensagens, os trabalhadores protestavam acerca das más condições de pagamento praticadas pela marca.

Leia também: Botijão de gás pode ficar até R$ 1,21 mais caro a partir de domingo

Segundo informações da Associated Press, as roupas encontradas na Zara foram produzidas pela empresa terceirizada, Bravo Tekstil. Ainda de acordo com a agência de notícias norte-americana, a empresa fechou as portas ao longo deste final de semana.

Nas etiquetas, os trabalhadores denunciaram um atraso de três meses nos salários e reivindicaram direitos trabalhistas. “Eu fiz esse item que você irá comprar, mas não fui pago por isso”, expunham as frases, que além de relatarem os abusos, conduziam os consumidores a apoiarem uma campanha para que os salários pudessem ser devidamente pagos.

Trabalho escravo e posicionamento

Vale lembrar que não é a primeira polêmica que a marca se envolveu, havendo casos de trabalho escravo e danos ambientais. No Brasil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo firmou um novo Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empresa, devido ao descumprimento de um acordo realizado em 2011.

Leia também: Dados da Fenabrave apontam alta de 20,98% na venda de automóveis

No mesmo ano, a empresa aceitou um acordo depois de 15 trabalhadores que prestavam serviços na produção de roupas serem resgatados de condições degradantes. Porém, para o MPT, mesmo após o ocorrido, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego constataram o descumprimento de algumas cláusulas do compromisso.

Com o novo documento, que tem como intuito ampliar a responsabilidade jurídica da empresa em caso de constatação de trabalho análogo à de escravo ou trabalho infantil em sua produção, a marca teve que investir R$ 5 milhões em projetos sociais.

O termo foi proposto pelo Ministério Público do Trabalho em fevereiro deste ano e homologado em 10 de maio. Assim, a rede de vestuário fica obrigada a realizar a anotação de contratos nas carteiras de trabalho dos empregados prejudicados. Além disso, houve aumento na multa em caso do descumprimento do TAC, para melhorar a condição social do trabalhador que produz para a mesma.

Em resposta a manifestação dos trabalhadores terceirizadas, a empresa espanhola emitiu a seguinte nota:  "A Inditex, proprietária da Zara, pagou todas as obrigações contratuais à fornecedora Bravo Tekstil e definiu com os afiliados locais da IndustriALL, Mango e Next a criação de um fundo especial para indenizar os trabalhadores afetados pelo desaparecimento fraudulento dos proprietários da Bravo. Os recursos cobrirão danos e inconvenientes causados ​​aos funcionários que estavam empregados no momento do fechamento súbito da fábrica em julho de 2016. O Grupo está comprometido em colaborar com todos os esforços para encontrar uma solução aos trabalhadores".

Leia também: Reforma trabalhista: veja as mudanças para quem procurar a Justiça do Trabalho

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.