Startup Localize investiga do Facebook a cartórios para identificar ativos que podem ser usados para quitar dívidas; empresa espera crescer 30% este ano

Brasil Econômico

Pesquisa realizada pela Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (17) apontou que o País tem atualmente mais de 5,1 milhões de empresas inadimplentes. Somadas, essas operações tem dívidas que somam R$ 119,2 bilhões, sendo que cada uma dessas empresas tem, em média, 11 boletos pendentes, que totalizam R$ 23 mil.

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Essa é o retrato do prolongamento da recessão econômica vivida no País, somado a uma parcela de empresas que agem de má fé. E é justamente para identificar empresários que se aproveitam da crise para levar vantagem e não quitar dívidas , que três empresários criaram a Localize, player especializado em serviços de investigação e recuperação de ativos.

Os sócios – Lucas Gouvêa, Aldo Moscardini, Flávio Goeldner e Rafael Nogueira – podem ser considerados detetives, e com estratégias de dar inveja a qualquer agente da Polícia Federal, são capazes de identificar quando uma empresa está “aplicando um golpe” para não arcar com despesas, impostos e demais obrigações.

Os sócios Lucas Gouvêa, Aldo Moscardini, Flávio Goeldner e Rafael Nogueira, usam inteligência artificial e Big Data em investigações  e conseguem quitação de dívidas
Divulgação
Os sócios Lucas Gouvêa, Aldo Moscardini, Flávio Goeldner e Rafael Nogueira, usam inteligência artificial e Big Data em investigações e conseguem quitação de dívidas


Para conseguir identificar os espertalhões, a Localize conta com um time de peso: jornalistas, advogados e profissionais de TI (mineradores de dados), que investigam a vida pessoal desses empresários e identificam bens que os mesmos possuem e exibem por ai, que podem ser usados para quitar débitos em abertos com bancos, fornecedores e demais credores.

Uma análise minuciosa das redes sociais como o Facebook e o Instagram, dos empresários e seus familiares, pesquisa de telefones, cadastros da empresa e até documentos registrados em cartórios são verificados para identificar bens que possam ser usados para saldar os débitos em aberto.

Segundo Lucas Gouvêa, um dos sócios da Localize, toda a análise e investigações de dados são feitas dentro da lei e por terem experiência no universo dos cartórios, a pesquisa é bem mais completa. “Toda a nossa pesquisa é baseada em registros públicos, nada fora da lei. Como temos larga experiência no universo dos cartórios, pois crescemos nesse meio, sabemos onde e o que procurar”.

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Tecnologia a favor

A tecnologia também ajuda no melhor resultado da empresa, uma vez que eles usam a inteligência artificial e o Big Data para cruzar dados.  Com esses recursos, a empresa é capaz de criar uma linha do tempo com os passos dos empresários: identificar tudo que foi registrado no nome do mesmo e de terceiros, escrituras que foram feitas, contratos firmados, movimentação feita dentro e fora do Brasil, laranjas e até mesmo a criação de empresas de fachadas para burlar a lei.

A Operação Lava Jato , que investiga uma das maiores redes de corrupção no País, ajudou no crescimento da empresa. Entre 2015 e 2016, no auge da investigação, a empresa cresceu 300% em faturamento. “Boa parte desse crescimento foi decorrente da investigação dos responsáveis pelas empresas envolvidas no escândalo, que tinham vultuosas quantias de dinheiro emprestadas pelos bancos”, afirmaram os empresários.

Futuro

A perspectiva para este ano é de crescimento de 30% frente 2016 e mais do que atuar na investigação dessas empresas inadimplentes, a Localize quer pegar uma fatia do mercado de compra e venda de dívidas.

Os sócios anteciparam ao Brasil Econômico que estudam a criação de uma gestora de recuperação de grandes dívidas, além do lançamento de uma plataforma investigativa que permitirá trabalhar com um volume muito maior de informações, com milhares de casos por mês. “Hoje no Brasil somos únicos e trabalhamos com o objetivo de escalar nossos serviços”, afirma Gouvêa. “Nenhuma empresa têm a especialização e a dinâmica que a Localize tem em achar ativos”.

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