Em estudo com indicadores do período de abertura dos saques, Ministério do Planejamento aponta que 36% do valor sacado foi usado para pagar contas

Brasil Econômico

Uma boa parte dos recursos liberados de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) foi usada para quitar dívidas. Segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Ministério do Planejamento, 36% do valor total destinado aos trabalhadores foi usado para pagar contas. O levantamento tenta identificar os efeitos causados pela decisão do governo de permitir o saque de contas para quem foi desligado da empresa por justa causa ou pediu demissão até 31 de dezembro de 2015.

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A referência para a pesquisa vem, principalmente, de dados da Caixa Econômica Federal, que apontam a injeção de R$ 41,8 bilhões na economia com a liberação de valores das contas inativas do FGTS entre os dias 10 de março e 12 de julho. Os saques foram efetuados a partir de, aproximadamente, 25 milhões de contas inativas, superando a expectativa inicial, que previa a realização de apenas 70% deste valor.

De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, saques de contas inativas do FGTS já movimentaram R$ 41,8 bilhões
Tomaz Silva/Agência Brasil - 10.3.2017
De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, saques de contas inativas do FGTS já movimentaram R$ 41,8 bilhões

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Segundo o Banco Central , houve uma redução do uso do cheque especial em 4,5% no mês de abril. No mesmo período, o uso do cartão de crédito caiu de 15,7% para 5,7%. Ainda de acordo com o levantamento, houve uma redução do endividamento das famílias após o início dos saques do FGTS , passando de 23,4% da renda, em março, para 23,2% da renda em abril. Os percentuais não consideram endividamentos relacionados ao crédito habitacional.

Para apontar os sinais positivos após a liberação dos recursos do fundo de garantia, o Ministério do Planejamento usou dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que indicam recuo de 2,4% do endividamento das famílias na comparação com março de 2016. Ainda de acordo com a pesquisa, 80% do valor dos saques do FGTS foram utilizados em três segmentos: vestuário e calçados; hiper e supermercados; e móveis e eletrodomésticos.

Em seu relatório, o governo também apontou indicadores da Associaçnao Brasileira de Supermercados (Abras) indicando que, em abril, as vendas dos supermercados cresceram 6,3% na comparação com abril. Em maio, o aumento mensal ficou em 1,1%. Os dados da Associação Brasileira da Indústrias de Eletroeletrônicos (Abinee) apontam alta média de 20% nas vendas de celulares entre março e maio, na comparação com o mesmo período do ano passado.

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Já os dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) foram usados para apontar que a liberação das contas inativas do FGTS contribuiu para que o total de licenciamentos de carros novos feitos em abril registrassem aumento de 7% na comparação com o mesmo período de 2016. Os percentuais aumentam para 11,5% e 18,9% nos meses de maio e junho, respectivamente.

* Com informações da Agência Brasil.

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