Uma das principais questões relativa ao vício em internet é o fato de ser praticamente impossível se esconder de um mundo cada vez mais digital

Brasil Econômico

Centros de reabilitação não são mais reservados para viciados em substâncias, como por exemplo,  o álcool. Um novo vício tem se desenvolvido nos últimos anos com sérias complicações para as vítimas e para quem está próximo delas – o vício em internet.

Leia também: Bitcoin: especialistas dizem que é a melhor hora para investir, confira

Uma das principais questões relativa ao vício na internet é que é praticamente impossível se esconder de um mundo cada vez mais digital
Futurism. Federico Morando/Flickr
Uma das principais questões relativa ao vício na internet é que é praticamente impossível se esconder de um mundo cada vez mais digital

Isso é apenas uma tendência recentemente apontada pela psicologia, que admite que o vício em internet  (que é comportamental) pode ser tão problemático quanto um vício químico.  Essa mudança na psicologia moderna foi marcada pela introdução dos jogos de azar no Manual de Estatística de Diagnóstico da American Psychiatric Association (DSM).

Embora a subsecção tecnológica do vício comportamental seja relativamente nova para os especialistas explorarem, e a pesquisa continua em um estágio inicial, alguns especialistas acreditam que esta condição afeta pelo menos 13% da população dos Estados Unidos – o que equivale a cerca de 40 milhões de pessoas. A maioria dessa parcela é composta por jovens adultos, 20% dos quais sofrem de alguma forma de dependência da internet.

A maioria majoritária dos viciados na tecnologia são homens jovens e envolve jogos, e um fator em comum é o escapismo que o vício proporciona.  Especialistas como da clínica reStart Life nomearam de “distúrbio de jogos na internet”. Alex, um dos atendidos pela clínica,  disse em entrevista ao jornal inglês, The Guardian, que era como se fosse o personagem de um dos títulos que jogava.

reStart Life está ganhando novas unidades de clínicas especializadas em dependência tecnológica, que pode causar danos mentais e psicológicos semelhante às drogas. A chefe do escritório da clínica, Hilarie Cash, disse ao The Guardian que “a saída para o cérebro do viciado sair da euforia e construir uma tolerância às recompensas é distorcendo as vias do neuro-prazer ao longo do tempo, procedimento semelhante ao feito em um viciado em cocaína”.

O vício em internet não afeta apenas os homens, há uma tendência em crescimento que vem afetando mulheres jovens em relação às mídias sociais. Psicólogos têm dito que as jovens têm perseguido os famosos “likes” nas redes sociais, uma fixação que pode ter sérios impactos em seu desenvolvimento e autoestima, habilidades sociais, e identidade. Em um estudo, cientistas encontraram que após cinco dias sem usar smartphone, as garotas jovens ficaram melhores em fazer leituras faciais e emocionais.

Leia também: Superpopulação: confira o que Elon Musk disse sobre o assunto

O debate e a doença

Uma das principais questões relativa ao vício na internet é que é praticamente impossível se esconder de um mundo cada vez mais digital. O psicólogo principal do Paradigm, Jeff Nalin, de outra clínica especializada, disse em uma entrevista para a NPR que “a melhor analogia é quando você tem algo como um distúrbio alimentar [...] Você não pode estar limpo e sóbrio com alimentos, então você tem que aprender habilidades para lidar com isso”.

Como o mundo é cada vez mais digital, programas como Paradigm e reStart são vitais para dar suporte a essas pessoas afetadas pelo vício em tecnologia. No entanto, o progresso no tratamento da dependência da internet vem sendo dificultada por psicólogos que não acreditam no distúrbio. Patrick Market da Universidade de Villanova é uma dessas pessoas.

Markey diz que o aumento do uso da internet é atribuído a mudança comportamental entre as gerações em vez de ser uma psicose: "Nós podemos querer que eles [jovens] estejam lá fora jogando beisebol ou algo assim, mas para esta geração, o seu playground é pixelado", disse ele em entrevista ao NPR. “Isso não é um sinal de comportamento patológico”.

Em contraposição, Anna Lembke, professora assistente de medicina para dependência de Stanford, argumentou para NPR que o vício em internet segue “o arco narrativo natural de qualquer vício”. Esse debate foi alimentado pela falta de estudos sobre o tema, e a ambiguidade em relação às suas causas continua sendo um enigma. O vício na internet não chegou à quinta edição do DSM, pois não havia pesquisa suficiente.

Isso não é uma indicação, contudo, de que não existe um problema: uma dependência não saudável/ vício em internet está claramente tendo um impacto negativo nas vidas de algumas pessoas. Com isso, é crucial que a pesquisa continue para que estejamos preparados para lidar com uma doença em potencial, que pode se tornar uma crise epidêmica, dada a crescente prevalência da internet em nossa sociedade. É melhor se preparar e não precisar do que precisar e não estar preparado.

Leia também: Conheça o Seeing AI, aplicativo que descreve ambientes para deficientes visuais

*Com tradução de futurism.com

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.