Para o especialista em RH, Celso Bazzola, antes de tudo o usuário não pode deixar o seu rendimento ser afetado pelas redes no horário de trabalho

Brasil Econômico

“No que você está pensando?” essa é a frase que todo usuário do Facebook se depara ao logar em uma das redes sociais mais usadas do mundo. A pergunta, aparentemente simples, pode gerar diversas declarações, e até mesmo umas de características mais polêmicas com incitações de ódio, de cunho machista, homofóbico, xenofóbico, etc. Mas o que muita gente não lembra ao responder sobre o quê está pensando, é que existe uma vida para além das redes sociais.

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Estagiário é demitido da empresa após realizar comentário machista em seu Facebook
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Estagiário é demitido da empresa após realizar comentário machista em seu Facebook

Essa mistura entre o mundo real e o virtual é cada vez mais nítida e o que é postado em perfis sociais repercute no cotidiano. Foi justamente isso que ocorreu na quarta-feira (8) após ser noticiado que um estagiário de engenharia foi demitido da empresa em que trabalhava após realizar posts de caráter machista em sua rede social.

A discussão polêmica vem causando repercussão com argumentos prós e contra a decisão da empresa em demitir o estudante e levanta a questão de qual a postura ideal nas redes sociais e como evitar constrangimentos no ambiente de trabalho?

Para o especialista em recursos humanos, Celso Bazzola, é permitido que a empresa analise a rede social de seu empregado [até mesmo antes de contratar as empresas já adotam tal método], mas antes deve haver um contexto para tal ação. É essencial também que esse stalk não seja entendido com um fator principal da permanência ou não do funcionário na empresa.

Bazzola ressalta que posts desse caráter podem gerar uma antipatia no ambiente de trabalho, e até mesmo ir além da “encarada”, uma vez que uma discussão pesada sobre o tema pode acontecer, o que consequentemente, gera um clima de desconforto dentro da empresa.

Não existe nenhuma regra específica que proíba a utilização nas redes sociais nos ambientes de trabalho, por outro lado a constante postagem de conteúdos ou o tempo no Facebook pode fazer com que a produtividade caia o que pode prejudicar a empresa no final. Portanto, é essencial que o profissional saiba até que ponto o tempo online não compromete o seu trabalho.

Segundo Bazzola, outro fator que também deve ser evitado são os posts considerados de conteúdo polêmico. Outros assuntos que podem gerar casos semelhantes de desconforto na equipe, de acordo com o especialista, são temas que envolvem alguma paixão, como futebol e a política, por exemplo. Mas ele ressalta que o “anonimato” da rede social potencializa uma série de coisas. Entre os exemplos citados por Bazzola está à incitação à violência, e o especialista aponta ser de extrema importância à conscientização do tema dentro das empresas.

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Falta de respeito

Cada vez mais o feminismo tem sido discutido pela sociedade, e isso com certeza teria um impacto menor – midiático - se fosse há alguns anos atrás, relata o especialista. Entretanto, ele frisa que a falta de respeito da parte do jovem estudante de engenharia seria o mesmo.

Para o especialista, as redes sociais devem ser utilizadas para divulgar o seu network, trocar informações que podem agregar tanto para a vida pessoal quanto profissional. Ele relembra que se deve evitar posts polêmicos, mas antes ele dá uma dica de reflexão. Celso Bazzola propõe que antes de cada postagem o usuário se pergunte: “a minha opinião vai mudar em quê?”. Pois as interpretações das pessoas podem ser das mais variadas possíveis, e relembra que sempre é bom saber abordar os temas, afinal existem  diversas formas de falar sobre um assunto.

Desfecho

Ainda na noite de quarta-feira (8), a empresa Alezzia, loja especializada em imóveis fez um post em seu Facebook, onde condenou a ação da outra empresa que demitiu o jovem, e ainda ofereceu um estágio de verão no período de 30 dias ao garoto. A Alezzia é conhecida por fazer publicidade utilizando modelos com trajes de banho para vender seus produtos.

E como resposta à oferta proposta, o jovem postou em seu Facebook “Oi feminazis, a empresa Alezzia me ofereceu um estágio novo e melhor!”.

Vale ressaltar que após a decisão da empresa de demitir o garoto, ele postou pedidos de desculpas à sua família e aos seus amigos que segundo ele, compactuam de sua opinião, e que todos deveriam entender as postagens que geraram a demissão como piada. 

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