Eles querem produtos e serviços segmentados as suas necessidades e reclamam que a falta de crédito os impede de consumir mais

Brasil Econômico

Idosos reclamam de falta de crédito para viagens e aquisição de bens de consumo duráveis
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Idosos reclamam de falta de crédito para viagens e aquisição de bens de consumo duráveis

O Brasil deve chegar em 2025 com mais de 31,8 milhões de idosos. Essa estimativa sinaliza a necessidade do setor de comércio e serviços se adequarem a um novo público consumidor. Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que 34% das pessoas acima de 60 anos afirmaram sentir falta de produtos segmentados as suas necessidades.

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Embora a maioria dos idosos garanta ter autonomia para decidir como gastar o próprio dinheiro, 67% ao total, boa parte dessa parcela de idosos se ressente da falta de produtos pensados especificamente para atender às suas necessidades. Na opinião do presidente da CNDL, Honório Pinheiro, os empresários que investirem nesse setor devem ter resultados positivos em suas operações em médio e longo prazo. “A empresa do varejo que identificar as necessidades e desejos desse público-alvo, certamente ganhará novos clientes e verá suas vendas aumentarem”, disse.


Consumidores da melhor idade escolhem local de compra seguindo critérios como: preço, atendimento e qualidade
Tânia Rego/Agência Brasil - 8.10.2014
Consumidores da melhor idade escolhem local de compra seguindo critérios como: preço, atendimento e qualidade

Para ajudar os empresários a pensar em estratégias para este nicho de mercado, a pesquisa do SPC Brasil e da CNDL traçou o perfil dessa parcela de consumidores e quais as suas intenções de compra até o final do ano.  Comprar roupas está no plano de 29% deles, seguido de calçados com 19% da intenção de consumo. Fazer uma viagem está nos planos de 19% deles, renovar os eletrodomésticos é a prioridade para 13%. Outros 12% vão procurar por tratamentos dentários estéticos até dezembro. Dado que impressionou as entidades setoriais foi que 53% dos idosos brasileiros pretendem comprar produtos e/ou serviços que demandam uma quantia financeira maior nos próximos 12 meses.

Pedidos especiais

A pesquisa ressaltou que a adaptação a esse novo público é quase nula no País. Entre as queixas e pedidos dessa parcela da população o destaque vai para a falta de sinalização com letras maiores em lojas e em rótulos foi mencionada por 27% e 34% dos respondentes, respectivamente.

Aparelhos celulares com teclados legíveis também é uma reinvindicação dessa parcela de consumidores; 13% deles gostariam de encontrar esse artigo com mais facilidade. Mesmo com a intenção de comprar roupas sendo alta, 17% das pessoas acima de 60 anos afirmaram não encontrar lojas com produtos específicos a sua idade, ou são roupas para pessoas muito jovens ou para pessoas de idade bem mais avançada.

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Hábitos de consumo

A escolha de um estabelecimento para fazer suas compras é feita levando em consideração principalmente o preço, fator mencionado por 69% dos idosos, a qualidade por 54% e o atendimento por 48%.  Os principais locais de compra deles são as farmácias/drogarias segundo 49%, lojas de rua/bairro  com 41% de menções e lojas de shoppings, local preferido por 25% deles. No caso de serviços oferecidos em domicílio, os mais relevantes para entrevistados são a entrega de medicamentos com 63%, de compras feitas em supermercados com 50% e de lanches ou comida com 32%.

Falta de crédito

A falta de crédito é outro fator que impacta diretamente a vida dos idosos : três em cada dez, ou seja, 33% dessa parcela consumidora não compra algo que têm vontade por não ter acesso fácil ao crédito.  A pesquisa identificou que 10% deles deixaram de comprar carros e motos por falta de crédito, 5% de fazer viagens e 5% dos idosos brasileiros afirmaram não ter comprado eletrodomésticos pelo mesmo motivo.  Além disso, 15% dos entrevistados já passaram pela situação de ter o crédito negado, principalmente em bancos (5%), lojas de eletroeletrônicos (4%) e financeiras (4%)”.

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