Botafogo recebeu R$ 4 milhões da Telexfree

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Quantia destinada ao time é superior ao que a empresa, acusada de pirâmide, faturou com a venda de pacotes VoIP

Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress
De terno, James Merrill (esq.) e Carlos Wanzeler (dir.), donos da Telexfree, com representantes do Botafogo: pagamento de US$ 4 milhões

O Botafogo recebeu ao menos US$ 1,7 milhão – ou R$ 4 milhões à época –, da Telexfree, acusada por autoridades americanas de ser uma pirâmide financeira bilionária. O valor supera o que a empresa faturou com a venda de pacotes VoIP, sistema de telefonia por internet usado como fachada para esconder a fraude, de acordo com as denúncias.

A Telexfree e o Botafogo anunciaram contrato de parceria em 9 de janeiro, com duração até o fim deste ano. O valor do acordo, entretanto, nunca foi divulgado.

Em 30 de dezembro, o clube recebeu cerca de R$ 4 milhões, pelo câmbio da época, segundo documento da Securities and Exchange Comission (SEC, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil) do Estado americano de Massachusetts, onde fica a sede da empresa.

Essa quantia é maior que o US$ 1,3 milhão, ou R$ 3 milhões no mesmo câmbio, que a Telexfree faturou com a venda de pacotes VoIP de agosto de 2012 a março de 2014 – o negócio começou a operar de fato em novembro de 2012, nos Estados Unidos, e em março de 2013, no Brasil.

Reprodução
Site da Telexfree está fora do ar desde o que autoridade americana chamou o negócio de pirâmide

No mesmo período, a empresa arrecadou mais de US$ 302 milhões, ou R$ 707,28 milhões, em taxas de adesão pagas pelos divulgadores, como são chamadas as pessoas que investiram dinheiro no negócio. Os dados constam de denúncia feita pela SEC federal contra a empresa.

O fato de a Telexfree depender, sobretudo, das taxas de adesão pagas pelos divulgadores é justamente o que faz o negócio ser uma pirâmide financeira, segundo a SEC, que pediu o congelamento dos bens do grupo nos EUA, e o Ministério Público do Acre, responsável pela solicitação de bloqueio no Brasil.

Procurados, os representantes do Botafogo e da Telexfree não quiseram se pronunciar. O clube sempre defendeu a legalidade da transação, e os representantes da empresa, a regularidade do negócio.

Pagamento chamou atenção de autoridades americanas

Quando anunciou o patrocínio ao Botafogo, o grupo Telexfree já estava com as contas e atividades bloqueadas no Brasil sob acusação de ser uma pirâmide financeira.

Questionado sobre o fato, o presidente do clube, Mauricio Assumpção, argumentou à época que o contrato foi firmado com a sede da Telexfree nos EUA.

Como o iG já havia mostrado, entretanto, os responsáveis pelos negócios da empresa no Brasil e nos Estados Unidos são os mesmos: o brasileiro Carlos Wanzeler e o americano James Matthew Merrill, que fizeram o anúncio da parceria junto com os diretores do Botafogo (veja foto).

Wanzeler e Merrill fundaram a Telexfree nos EUA em 2002. O negócio, entretanto, ganhou fôlego em 2012, quando os dois empresários o trouxeram ao Brasil com apoio de Carlos Roberto Costa.

Em 15 de abril deste ano, a SEC de Massachusetts acusou a Telexfree de ser uma pirâmide financeira. O pagamento de R$ 4 milhões ao Botafogo foi uma das transações financeiras que chamaram a atenção dos investigadores, e constou da denúncia.

Dois dias depois, a SEC federal anunciou o congelamento de bens, cinco empresas e oito pessoas ligadas ao grupo Telexfree, dentre eles os de Wanzeler e Merrill.

LEIA TAMBÉM: Bloqueio nos EUA pode beneficiar brasileiros, diz autoridade americana

Chque apreendido na sede da Telexfree em nome de Katia Wanzeler, muilher de Carlos Wanzeler, um dos donos da empresa. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree parcialmente restabelecido, em 23 de abril de 2014; no dia 25, página havia voltado ao ar. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree fora do ar às 17h35 de 15 de abril de 2014. Mais cedo, a Comissão de Valores Mobiliários de Massachusetts anunciou que a empersa é uma pirâmide. Foto: ReproduçãoRepresentantes do Botafogo e da Telexfree apresentam camisa do clube com anúncio da empresa, suspeita de ser pirâmide financiera. Foto: Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress Carlos Costa, diretor de marketing da Telexfree, anuncia recuperação judicial da empresa, em 20 de setembro de 2013. Foto: ReproduçãoAudiência na Câmara dos Deputados sobre empresas suspeitas de serem pirâmides financeiras. Foto: Lucio Bernardo Júnior/Câmara dos DeputadosProcuradora Mariane de Mello, do MPF-GO, participa de programa Mais Você, da TV Globo: Telexfree processou emissora. Foto: Mais Você/TV GloboManifestante participa de protesto em favor da Telexfree próximo à Prefeitura de São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto em favor da Telexfree na Avenida Paulista, em São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressProtesto contra a decisão que bloqueou as contas da Telexfree em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo faz manifestação em apoio à Telexfree em frente ao Masp, em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo de 200 pessoas faz manifestação na Avenida Paulista em apoio à Telexfree, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressEncontro da Telexfree, empresa suspeita de ser pirâmide financeira, na Califórnia, em julho. Foto: DivulgaçãoA polícia acompanhou o protesto de integrantes da Telexfree, ocorrido em julho, em Brasília. Foto: Agência BrasilManifestantes bloquearam rodovia em Brasília em apoio à Telexfree. Foto: Agência BrasilProtesto de pessoas ligadas à Telexfree dificultou o trânsito próximo ao aeroporto de Brasília (julho de 2013). Foto: Agência BrasilReprodução do site da Telexfree com a foto do apresentador Celso Freitas. Foto: ReproduçãoReprodução de vídeo de carreata da Telexfree em Vitória (ES), em 28/6/2013. Foto: Reprodução/YoutubeO ator Sandro Rocha trocou a Telexfree pela Multiclik. Foto: DivulgaçãoVídeo de divulgação da Telexfree em que Carlos Costa afirma ter firmado contrato com a Mapfre. Companhia diz que contrato é falso. Foto: ReproduçãoProtesto a favor da Telexfree na cidade de São Paulo, em 29/6. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto a favor da Telexfree  (29/6/13). Foto: J. Duran Machfee/Futura PressPromotora Alessandra Marques, do MP do Acre, que investiga a Telexfree, diz ter sido ameaçada de morte. Foto: Divulgação/TJ-AC


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