A partir de dezembro, os dois países, atingidos em cheio pela crise da zona do euro, deixarão de usar recursos internacionais para reequilibrar suas finanças

Agência Estado

Protesto contra aumento de impostos em Dublin
AFP
Protesto contra aumento de impostos em Dublin

Dois países atingidos em cheio pela crise da zona do euro, a Irlanda e a Espanha sairão da tutela financeira da União Europeia. O anúncio foi feito em Bruxelas no final da noite de quinta-feira (14) por Jeroen Dijsselbloem, coordenador do Eurogrupo, o fórum de ministros de Finanças da Europa.

A partir de 15 de dezembro, os irlandeses não vão mais usar recursos internacionais para reequilibrar suas finanças, retomando sua soberania econômica. Já os espanhóis abandonarão o plano de socorro em janeiro.

A decisão foi a mais importante da reunião do Eurogrupo. O melhor caso de sucesso é o da Irlanda, que recebeu um programa de resgate de € 85 bilhões há três anos. No encontro, o ministro das Finanças, Enda Kenny, informou seus colegas europeus que o país renunciaria à linha de crédito "de precaução" oferecida pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), retornando ao autofinanciamento.

Manifestação de 1º de Maio na Espanha
Reuters
Manifestação de 1º de Maio na Espanha

Ao longo de seu programa de reformas, a Irlanda reorganizou seu sistema financeiro e diminuiu o tamanho do Estado, sem, porém, atender à principal reivindicação da UE: extinguir o imposto de 12% que atraiu ao país grandes conglomerados como Google ou Apple.

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Além disso, três anos após o socorro o governo irlandês já retornou aos mercados financeiros, vendendo títulos da dívida soberana com juros razoáveis – 3,5%, taxa inferior à cobrada da Itália, da Espanha e do Brasil, por exemplo –, e soma reservas suficientes para garantir sua solvência até o início de 2015, se necessário.

"Também estamos aptos a acessar os € 500 bilhões do Mecanismo Europeu de Estabilidade ", lembrou o ministro, referindo-se à versão de FMI criada por Bruxelas durante a crise.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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