Pirâmides: Justiça só encontra R$ 200 mil da Blackdever, que tem extinção pedida

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Ação civil pública contra a empresa chega à 10ª Vara Cível de Uberlândia (MG)

Reprodução
Rogério Alves, presidente executivo da Blackdever, em foto postada em uma rede social

A ação civil pública que pede o fim da Blackdever, empresa acusada de ser uma pirâmide financeira, chegou à Justiça na última segunda-feira (14). O objetivo, de acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), é conseguir que o negócio seja extinto e os recursos angariados, entregues a instituições de caridade. Mas apenas R$ 200 mil, de R$ 36,4 milhões, foram encontrados.

"Eles [donos da empresa] esvaíram o dinheiro. Devem ter comprado casa, apartamento, carro...", diz ao iG o promotor Fernando Martins, responsável pelo caso. 

Criada em março de 2013, a Blackdever faturou R$ 72 milhões até agosto, quando a 10ª Vara Cível de Uberlândia (MP-MG) determinou o bloqueio de R$ 36,4 milhões. Segundo Martins, entretanto, apenas R$ 200 mil foram localizados. 

A Blackdever se apresenta como um negócio de marketing multinível, modelo de negócios legítimo em que os revendedores autônomos são remunerados pelas vendas de outros revendedores que atraem para a rede. Para o MP-MG, entretanto, os lucros da Blackdever são oriundos das taxas de adesão pagas pelos revendedores, e não da comercialização de qualquer produto.

A Justiça também não conseguiu localizar os donos da Blackdever para comunicá-los da decisão. Em vídeos e publicações numa rede social, o presidente da empresa, Rogério Alves, diz estar na Espanha. Lá, teria fechado um contrato com outro empreendimento de marketing multinível, para dar continuidade ao negócio.

Os responsáveis pela empresa não foram localizados para comentar os dados desta reportagem.

Mudança de padrão

A ação contra a Blackdever tem uma estratégia diferente da adotada contra Telexfree e BBom — empresas também alvo de bloqueios acusadas de serem pirâmides financeiras e que tiveram bens bloqueados. Nesses dois casos, os promotores e procuradores da República pedem que os recursos sejam devovidos para os revendedores. 

Martins argumenta que as verbas da Blackdever devem ser mandadas para instituições de caridade pois quem investiu dinheiro no negócio também teria agido de má-fé. A tese, entretanto, é minoritária entre os procuradores da República e promotores de Justiça membros de uma força-tarefa antipirâmide.

Telexfree: criada por James Merrill (2º a partir da esq.) e Carlos Wanzeler (3º da esq) empresa pode ter arrecadados US$ 1,2 bilhão e chegou a patrocinar o Botafogo. Foto: Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress Anúncio de evento da Telexfree:  empresa sorteava carros de luxo entre os associados. Foto: ReproduçãoBBom: criada por João Francisco de Paulo, empresa teve atividades parcialmente liberadas em novembro de 2013; dono nega irregularidades. Foto: DivulgaçãoMercedes-Benz da BBom: empresa usa carros de luxo como chamariz para associados. Foto: DivulgaçãoMulticlick: Wagner Alves, apresentado como presidente, defende legalidade do negócio, acusado de ser pirâmide pelo Ministério Público de Santa Catarina. Foto: ReproduçãoVídeo mostra como funciona a Multiclick: dinheiro 'sem vender nada'. Foto: ReproduçãoBlackdever: presidente executivo, Rogério Alves, mudou-se para o exterior após denúncia do Ministério Público de Minas Gerais. Foto: Reprodução'Estilo de vida Blackdever': empresa usa imagens de locais e produtos luxuosos para atrair investidores. Foto: ReproduçãoWings: Sergio Tanaka, apontado como criador da empresa, acusada de ser uma pirâmide financeira pelas autoridades de Massachussetts. Foto: ReproduçãoWings promete prêmios de US$ 1 milhão aos melhores associados. Foto: Reprodução



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