Profeta da bolha que deu entrevista ao iG vence o Nobel de Economia 2013

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Robert Shiller foi um dos três ganhadores do prêmio por sua análise dos preços de ativos

O professor da Universidade de Yale e profeta da crise de preços imobiliários nos Estados Unidos, Robert Shiller, foi anunciado na manhã desta segunda-feira (14) como um dos vencedores do prêmio Nobel de Economia 2013, ao lado dos economistas Eugene Fama e Lars Hansen, também americanos. Os três foram consagrados pela formulação de suas teorias "empíricas dos preços de ativos".

World Economic Forum/Moritz Hager
Robert Shiller, vencedor do prêmio Nobel de Economia 2013

Em entrevista recente ao iG, Shiller afirmou que o impacto de uma possível bolha imobiliária no Brasil teria consequências mais amenas do que nos EUA em 2008, quando o descontrole do crédito levou à ruína milhares de investidores e bancos. "Não sei como prever quando vai acontecer, mas eu acho que poderia acontecer, e não subitamente", declarou ao portal.

Considerado um dos 100 economistas mais influentes do mundo e autor de diversos best sellers sobre finanças, Shiller receberá junto de seus conterrâneos da Universidade de Chicago o prêmio de 8 milhões de coroas (equivalente a R$ 2,5 milhões) no próximo dia 10 de dezembro, na Suécia.

Trajetória

Formado pela Universidade de Michagan e pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) no fim da década de 1960, Shiller leciona na Universidade de Yale desde 1982. Desde então, tem formulado uma série de trabalhos acadêmicos sobre finanças comportamentais, mercado imobiliário e gerenciamento de risco.

Quase exatamente um ano antes do colapso do Lehman Brothers, em setembro de 2007, Shiller escreveu um artigo no qual ele previa a ruína iminente do mercado imobiliário americano e sua consequente crise financeira. Em 2009, ele foi agraciado pelo Deutsche Bank Prize por pesquisas pioneiras no campo de finanças econômicas.

Seu trabalho era relacionado à dinâmica dos preços de ativos, como renda fixa, ações, imóveis e suas métricas. O economista também tem sido influente no desenvolvimento da teoria dos preços, bem como suas implicações práticas no mercado. Sua contribuição sobre a volatilidade do mercado financeiro, bolhas e crises recebeu ampla atenção no meio acadâmico e entre formuladores de políticas para o mercado.

Divulgação
Teoria formulada por Shiller que compara a evolução dos preços comparada à renda, dividendos e juros

Em 2010, Shiller foi incluído pela revista Foreing Policy como um dos maiores pensadores contemporâneos. Também foi eleito pela Bloomberg uma das 50 pessoas mais influentes em finanças globais.

No trabalho que lhe ajudou a conquistar o Nobel, o acadêmico formulou uma teoria que comparava o crescimento dos preços com o da renda e da disttribuição de dividendos, argumentando que os preços praticados nos EUA eram insustentáveis na época.

Shiller alertou no estudo, em 2005, que "as pessoas depositam muita confiança nos mercados e têm uma crença muito forte de que prestar atenção nas oscilações dos seus investimentos vai torná-las ricas, de modo que elas deixam de se preparar para possíveis resultados ruins".

No ano passado, venceram o Nobel de Economia os acadêmicos Alvin Roth e Lloyd Shapley, também dos EUA, pela formulação das teorias de alocações estáveis e do modelo de mercado.

Phillip Tatliff, que teve sua primeira hipoteca aprovada quando só podia dar uma entrada de 5%, em frente ao seu imóvel em Seatle, em abril deste ano. Foto: NYTImóveis no Rio de Janeiro, onde o preço médio do metro quadrado para venda chegou a R$ 9.534 em agosto. Foto: Thinkstock/Getty ImagesCasa depredada no bairro de Edgewood, em Atlanta, em março de 2012. Foto: NYTSão Paulo, a terceira cidade com maior valorização imobiliária dos últimos anos, atrás de Rio de Janeiro e Brasília. Foto: Thinkstock/Getty ImagesLoja especializada em limpar moradias, escritórios e objetos descartados em Dublin, Irlanda. A crise de 2008 deixou o país com 2 mil projetos inacabados ou vagos. Foto: NYTCanteiro de obras de arranha-céus de luxo na cidade de Wuhu, China, em julho de 2010, quando  o país tentava evitar uma bolha imobiliária incentivada por dívidas. Foto: NYTRobert e Patricia Castillo em frente a sua casa adquirida por US$ 420 mil, e que agora vale US$ 125 mil, em Richmond, Califórnia, em julho deste ano. Foto: NYTCasa abandonada em Richmond, Califórnia, em julho de 2013. Richmond é a primeira cidade dos EUA a recorrer à desapropriação. Foto: NYT




compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas