FMI diz que Brasil se recupera de desaceleração e apoia mais reformas

Fundo elogiou o foco do País em mudanças para melhorar os problemas do lado da oferta

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A economia brasileira está se recuperando gradualmente da desaceleração que começou em meados de 2011, mas mais esforços para impulsionar a produtividade, a competitividade e os investimentos são cruciais para melhorar o crescimento, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira (28).

Em relatório feito com base em consultas anuais junto a autoridades econômicas do país, o FMI elogiou o foco do Brasil em reformas para melhorar os problemas do lado da oferta, afirmando que isso vai impulsionar o investimento e aliviar os gargalos de infraestrutura.

-Veja também: FMI avalia pedido do Brasil para mudar cálculo da dívida

A maior economia da América Latina está no terceiro ano de crescimento lento mesmo diante de esforços de estímulos oferecidos pelo governo da presidente Dilma Rousseff através de isenções fiscais para aumentar a produção industrial.

"Depois de um período prolongado de fraqueza, o investimento começou a se recuperar nos últimos trimestres enquanto a confiança empresarial se firmou", mostrou o relatório.

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Diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em sessão do 43º Fórum Econômico Mundial, em Davos

O documento informou ainda que será importante para o Brasil elevar a poupança doméstica, melhorar o mecanismo de indexação do salário mínimo e continuar a reformar seu sistema previdenciário.

O desemprego baixo e fortes ganhos salariais reais mantiveram o consumo forte e, com a economia operando perto do potencial, os problemas de oferta afetaram o crescimento e alimentaram a inflação, de acordo com o relatório.

O FMI aprovou o início de um ciclo de aperto monetário pelo Banco Central, que deve elevar a Selic em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (28), para 9%.

O BC iniciou em abril um agressivo aperto monetário que levou a taxa básica de juros da mínima recorde de 7,25% para os atuais 8,5%.

"Além dos obstáculos das condições externas, problemas do lado da oferta doméstica e incertezas políticas podem estar afetando o crescimento no curto prazo", completou o relatório.

O FMI afirmou que será importante para o Brasil aumentar a poupança doméstica, melhorar o mecanismo de indexação do salário mínimo e continuar a reformar o sistema previdenciário.

"Outros esforços para fomentar o investimento privado deveriam incluir a melhora do sistema tributário e das condições empresariais", informou o FMI.

O fundo disse ainda que o Sistema Financeiro Nacional é sólido e bem posicionado para implementar as exigências de capital de Basileia III com antecedência. Mas alertou que os créditos das famílias e o imobiliário continuam em níveis de risco e exigem vigilância.

A flexibilidade da taxa cambial continua sendo o melhor colchão para amortecer a turbulência financeira externa, desde que intervenções no mercado cambial fiquem limitadas a moderar a volatilidade excessiva, disse o FMI.

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