Pirâmides: Priples é 3ª a ter pagamentos e cadastros bloqueados pela Justiça

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo polícia, 95% das verbas da empresa vêm das taxas de adesão; sócios são presos

Reprodução
Anúncio disponibilizado no site da Priples, no dia 5 de agosto de 2013, com a determinação de bloqueio das atividades da empresa

A Priples, empresa de anúncios virtuais que informa ter cerca de 200 mil associados, está proibida de fazer pagamentos e cadastrar novos integrantes. Os sócios foram presos. A Justiça de Pernambuco aceitou a denúncia, feita pela polícia, de que o negócio trata-se de uma pirâmide financeira. 

Com a decisão, sobe para três o número de empresas acusadas desse tipo de fraude e que foram alvo de bloqueios judiciais – as duas anteriores foram a Telexfree e a BBom. Juntas, as três somam mais de 1,5 milhão de membros no País, de acordo com os dados apresentados por seus representantes. 

O advogado da Priples não foi localizado até a publicação desta reportagem. 

Em seu site, a empresa anunciou nesta segunda-feira (5) que por força de decisão judicial, "estão proibidas novas adesões à empresa Priples, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 50.000,00" e "os pagamentos de comissões, bonificações e quaisquer outras vantagens aos participantes, também sob pena da incidência multa no valor de R$ 50.000,00" 


95% da verba vem de cadastros

A Priples foi criada em 1ª de abril com o objetivo de divulgar anúncios na internet. No final de maio, já havia movimentado R$ 107 milhões, segundo o delegado Carlos Couto, responsável pelo inquérito criminal.

Quase a totalidade da receita da empresa, entretanto, é oriunda das taxas de adesão pagas pelos associados, diz o delegado. Um modelo de negócios desse tipo é insustentável pois depende de uma população infinita para se manter de pé.

"Em oitiva [depoimento], o contador da empresa relatou que 95% da receita vinha do cadastramento de pessoas", afirmou Couto.

Saiba mais: Infográfico explica por que as pirâmides financeiras desmoronam

No último sábado (3), os policiais prenderam os sócios da Priples, o empresário e estudante ciências da computação Henrique Maciel Carmo de Lima, de 26 anos, e a enfermeria Mirele Pacheco de Freitas, de 22 anos. Foram apreendidos três carros – duas Range Rover e um Camaro – e US$ 300 mil em espécie. 

Os bens dos sócios e da empresa – nas contas da qual, em 26 de maio, havia R$ 73 milhões, segundo o delegado – deverão ser bloqueados.

Febre das pirâmides

J. Duran Machfee/Futura Press
Protesto contra a decisão que bloqueou as contas da Telexfree em São Paulo nesta segunda-feira (5)

As investigações contra a Priples em Pernambuco começaram em maio, depois que 17 pessoas procuraram a polícia por atraso nos pagamentos prometidos.

Em julho, a empresa também se torno alvo de inquérito civil do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN).

Ao todo, 31 empresas em todo o País estão atualmente sob investigação por suspeita de serem pirâmides financeiras. Uma força-tarefa constituída de promotores de Justiça, procuradores da República, membros da Polícia Federal e do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça (DPDC/MJ) foi constituída combater esse tipo de fraude.

Em junho, a 2ª Vara Cível de Rio Branco (AC) congelou as contas da Telexfree, que conta com cerca de 1 milhão de associados. Em julho, a mesma decisão foi tomada pela 4ª Vara Federal de Goiás (GO) em relação à BBom, cuja rede tem cerca de 300 mil pessoas.

Em entrevista concedida ao iG em julho, o diretor do DPDC/MJ, Amaury Martins de Oliva, afirmou que o Brasil vive uma espécie de "febre" de pirâmides.

Telexfree e BBom negam irregularidades.

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