Déficit em transações correntes soma US$ 2,596 bilhões em setembro, diz BC

No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, o déficit em conta corrente do país ficou em 2,15% do PIB; investimentos estrangeiros somaram US$4,393 bi no mês passado

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A crise internacional tem afetado o desempenho das transações correntes no Brasil nos últimos meses, ao registrar déficits importantes, mas o investidor estrangeiro está deixando a turbulência de lado para aplicar recursos produtivos no país, compensando as perdas.

Segundo o Banco Central divulgou nesta terça-feira, a conta corrente do país fechou setembro com saldo negativo de US$ 2,596 bilhões e, em outubro, deve saltar para US$ 4,9 bilhões. Se confirmado, será o maior rombo desde abril deste ano, quando ficou em US$ 5,366 bilhões.

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Tudo isso, segundo explicou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, como reflexo do pior desempenho da balança comercial brasileira e do incremento nas remessas de lucros e dividendos. Só no mês passado, as multinacionais instaladas no país enviaram às matrizes US$ 1,129 bilhão e, em outubro até o dia 19, já haviam saído US$ 1,456 bilhão.

No entanto, o técnico do BC acredita que, por trás desses números mais negativos, há sinais de melhorar da economia.

"Os sinais do fluxo comercial e o fluxo de remessas de lucros e dividendos podem estar associados à retomada do crescimento que se observa recentemente", argumentou Maciel, acrescentando que já que está havendo maior volume de importação devido ao comércio se preparando para as vendas de fim de ano.

No mês passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,556 bilhões, segundo o BC. Maciel lembrou, no entanto, que até a terceira semana de outubro, o saldo estava positivo em apenas US$ 1,3 bilhão.

A despesa líquida com viagens também influenciou o resultado da conta corrente do país em setembro, com US$ 1,262 bilhão, praticamente mantendo o ritmo do mês anterior, quando ficou em US$ 1,381 bilhão.

Financiamento

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) continua mostrando fluxos expressivos, como reflexo do momento interno mais positivo. O BC estima que neste mês entrará no país US$ 6 bilhões em investimento produtivo, alta de 36,6% se comparado aos US$ 4,393 bilhões do mês passado. Neste mês, até o dia 19, a entrada líquida já estava em US$ 3,8 bilhões.

"Temos uma situação de financiamento ainda mais confortável que já tínhamos no primeiro semestre, a evolução nos meses confirmou a entrada de investimento expressivo e as projeções estão ainda mais favoráveis", Maciel.

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Para este ano, o BC calcula que o IED ficará em US$ 60 bilhões, mais do que o suficiente para cobrir todo o déficit em transações corrente esperado para o período, de US$ 53 bilhões devido. O governo tem argumentado que a economia voltou a acelerar o passo neste segundo semestre.

A situação de financiamento favorável também pode ser vista nas taxas de rolagens das empresas. No mês passado, elas ficaram em 367%, num ritmo que deve se manter em outubro, já que na parcial até o dia 19 estava em 370%.

"Até o final do ano essas condições devem permanecer. As empresas vão seguir com acesso à financiamento com taxa favorável", afirmou o técnico do BC.

Mercado acionário

O financiamento está sendo feito também por meio do mercado de ações e renda fixa. O investimento de estrangeiros em papéis negociados no país foi negativo em US$ 1,180 bilhão no mês passado, mas está revertendo o movimento em outubro. Até o dia 19 deste mês, o saldo estava positivo em R$ 1,208 bilhão, segundo o BC.

Já em renda fixa, segundo o BC, as aplicações estrangeiras no país somaram US$ 736 milhões  em setembro e, em outubro, estavam em US$ 516 milhões até o dia 19.

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