FMI repreende União Europeia por resposta "gravemente incompleta" à crise

Fundo pediu que as autoridades europeias aprofundem os laços financeiro e fiscal com certa urgência para restaurar a fraca confiança no sistema financeiro global

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu que as autoridades europeias aprofundem os laços financeiro e fiscal dentro da zona do euro com certa urgência para restaurar a fraca confiança no sistema financeiro global.

O tom severo do FMI sobre a crise da dívida da zona do euro em sua avaliação semestral da saúde financeira global contrasta com o humor na Europa, onde a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar títulos de países que aceitarem assistência financeira afastou preocupações imediatas com a sobrevivência do euro.

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"Apesar de várias ações importantes já tomadas pelas autoridades, essa agenda continua gravemente incompleta, expondo a zona do euro a um espiral negativo de fuga de capital, temores de ruptura e declínio econômico", disse o FMI em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global divulgado nesta quarta-feira.

O documento afirmou que a crise da dívida da zona do euro é a maior ameaça à estabilidade financeira global, que enfraqueceu nos últimos seis meses, deixando o nível de confiança "muito frágil".

O lento progresso na zona do euro significa que os bancos europeus devem desfazer-se de US$2,8 trilhões em ativos durante dois anos para cortar suas exposições ao risco, um aumento de US$200 bilhões em relação à previsão feita seis meses atrás, estimou o FMI. Isso pode encolher a oferta de crédito na periferia em 9% até o final de 2013, prejudicando o crescimento econômico.

O relatório soma-se ao cenário pessimista antes do encontro semestral do FMI em Tóquio nesta semana, que unirá líderes financeiros do mundo.

Na terça-feira, o Fundo afirmou que a desaceleração econômica global está piorando e cortou previsões de crescimento pela segunda vez desde abril, alertando autoridades norte-americanas e europeias que um fracasso em consertar seus problemas econômicos irá prolongar a retração.

O cenário em que a Europa caminha, tomando ações ao acaso a cada novo problema da prolongada crise em vez de adotar um plano abrangente pode se provar custoso, afirmou o diretor do departamento de Mercados de Capital e Monetário do FMI, José Vinals, que é também o principal autor do relatório de estabilidade financeira.

"Quanto mais tempo passa sem uma solução completa, maior serão os custos eventuais para todos de resolver a crise", disse ele à Reuters em entrevista.

Os problemas da Europa também devem servir como lição para os também muito endividados Estados Unidos e Japão de que adiar os ajustes de política necessários até que os mercados os forcem a fazê-los leva a "resultados econômicos mais severos", disse Vinals em entrevista.

"Nós não devemos deixar as condições atuais do mercado, que melhoraram, levarem a uma falsa sensação de segurança", disse ele.

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