Economistas criticam barreiras comerciais contra importações

Na opinião dos especialistas, proteção à indústria pode inibir inovação empresarial e atrasar desenvolvimento

Brasil Econômico - Gustavo Machado |

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A política brasileira de proteção à indústria contra as importações voltou a ser atacada ontem, em evento promovido pela empresa de mídia britânica The Economist. Segundo os especialistas, o protecionismo nacional atrasa o desenvolvimento da indústria inovadora, favorecendo a produção de artigos de menor valor agregado.

Entre outras reclamações, eles também criticaram as intervenções do governo em áreas como a de energia e a bancária. O argumento é que a equipe econômica utiliza empresas estatais como instrumento político.

Para Sergio Lazzarini, economista do Insper, o governo federal precisa definir com critérios objetivos que tipo de indústria o país pretende incentivar. Ele diz que, em alguns casos, não há meios de estancar a perda de competitividade. As indústrias fadadas a fechar são, principalmente, as fabricantes de itens padronizados, como têxteis e calçados de menor qualidade.

“Temos de saber em quais setores somos competitivos. Em alguns, não há o que fazer. Sei que a indústria é importante, e precisa ser protegida, mas existem indústrias e indústrias. Algumas, apesar do apoio, não tiveram ganho de produtividade em décadas”, afirma o economista.

Para Lazzarini, o que falta ao Brasil é coragem para definir áreas prioritárias em detrimento de outras. “Temos a ideia de que o certo é ajudar setores com problemas. Mas nem sempre isso precisa ser prioridade. Precisamos destruir criativamente e realocar os recursos”, reflete.

Por fim, ao ser questionado se a intervenção do governo desestimula o empresariado, ele foi enfático. “Não falta ambição ao empresário, faltam incentivos corretos”, frisou, mencionando que a intervenção do governo federal para controlar preços e taxas de juros por meio de estatais — como no caso da gasolina com a Petrobras e dos juros bancários com o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — cria um ambiente de insegurança para os empresários.

Desestímulo

Para Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, este é apenas um dos fatores que desestimulam investimentos no Brasil. Segundo ele, existe insegurança jurídica no país e isso tem reduzido a competitividade. “Não temos ainda o marco civil da internet, por exemplo. Qualquer um que pense em investir ou empreender no Brasil, ao sinal do primeiro embate jurídico, desiste de investir”, diz Lemos.

Marcello Hallake, sócio do escritório de advocacia americano Jones Day, diz que a burocracia, a legislação trabalhista e tributária também podem ser entendidas como instrumentos de reserva de mercado. Ele entende que o investidor estrangeiro reage negativamente a essas barreiras.

“Quando fazem os estudos sobre como atuar no Brasil, se assustam com os passivos que terão de arcar. É uma salvaguarda para as empresas que aqui estão e um incentivo para investimentos em outros mercados”, afirma Hallake.

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