Faturamento da indústria cresce 4,8% em agosto, segundo a CNI

Foi o melhor resultado em 18 meses o que, segundo a entidade, indica a recuperação do setor com as medidas de estímulo do governo

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As vendas da indústria brasileira cresceram no ritmo mais forte em 18 meses em agosto ante julho, indicando uma recuperação do setor, que tem sido beneficiado por medidas de estímulo do governo, mostraram dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira.

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A entidade empresarial, contudo, espera uma recuperação mais firme somente no primeiro semestre do próximo ano. "Os dados corroboram a expectativa de recuperação e já há alguma reação às medidas de estímulo", avaliou o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

A indústria brasileira tem patinado neste ano e deve fechar 2012 com crescimento zero em relação a 2011, apesar das desonerações tributárias adotadas pelo governo para tentar recuperar o setor.

O faturamento real dessazonalizado da indústria cresceu 4,8% em agosto frente a julho, quando havia registrado retração de 2,4%. A alta em agosto foi a maior desde fevereiro de 2011.

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O aumento das vendas, contudo, não foi acompanhado pelo aumento da uso da capacidade instalada, que ficou estável em agosto frente ao dado revisado de julho, em 80,9%.

Na comparação anual, o uso da capacidade instalada --considerado um indicador de potenciais pressões inflacionárias-- recuou, já que em agosto de 2011 estava em 82,2%.

A CNI mostrou ainda que as horas trabalhadas em agosto, quando comparadas com julho, cresceram 0,7%, e o emprego do setor registrou retração de 0,3% no período.

O economista Castelo Branco acredita que a redução da taxa básica de juros, atualmente em 7,5%, as desonerações tributárias e a diminuição dos custos de energia vão gerar efeitos mais nítidos no setor na primeira metade do próximo ano.

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No acumulado do ano até agosto, o faturamento registra um crescimento de 7%, a massa salarial, 4,6%, e o rendimento médio, 5,6%.

Por outro lado, as horas trabalhadas na produção apresentam recuo de 2,1% de janeiro a agosto. Para a CNI, essa variável é a que mais evidencia a dificuldade de recuperação do setor.

Os economistas da entidade não arriscam uma previsão para setembro. Eles lembram que a confiança do empresário industrial aumentou no mês passado, mas que os resultados da indústria em setembro deverão refletir a queda 14,2% na produção de veículos no mês passado

A elevação do faturamento em agosto é mais um indicador que mostra que a indústria começa a dar sinais de recuperação. Na segunda-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) informou que a produção industrial cresceu 1,5% em agosto, quando comparado a julho, o melhor resultado em 15 meses.

O resultado levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a avaliar que o período mais difícil para a indústria ficou para trás e que a produção fabril mostra crescimento gradual.

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