Para comprar bem no exterior, peça ajuda de quem entende

Personal shoppers são grandes aliados de quem não quer perder tempo nem bater perna demais e à toa

Natalia Flach - Brasil Econômico |

Nas viagens ao exterior, é comum levar diversas opções de roupa para não precisar se preocupar com o que vestir em eventos formais ou nos momentos de lazer. A não ser que o propósito seja decolar com a mala vazia para poder voltar com ela abarrotada de peças exclusivas ou mais em conta. Quem faz parte desse segundo grupo pode contar com a ajuda de “personal shoppers” para não perder tempo nem bater perna à toa. Cris Bicalho, diretora da agência de viagens B360 Travel, conhece as principais lojas e marcas dos quatro cantos do mundo. Mesmo assim, decidiu contar com ajuda.

Em Londres, ela passou quase quatro horas com três vendedores da Harrods (loja que vende peças das grifes Armani e Michael Kors, entre outras) a sua disposição, além de uma costureira que fez os ajustes na alça do vestido que ela comprou. “Era uma sala fechada com tudo separado de acordo com o meu gosto. A praticidade é enorme, além de terem me oferecido um chá delicioso”, lembra. “Comentei que não queria me vestir como todo mundo e eles trouxeram peças que não estavam nas araras. E fui atendida em português. Eu me senti uma princesa árabe”, ri. Cris acrescenta que a nova iorquina Bergdorf Goodman e a francesa Louis Vuitton também dispõem desse serviço. “Oferecemos a reserva, com ajuda dos “personal stylists”. Em geral, são mulheres de 40 anos que gostam de marcas mais chiques,querem comprar mas só tem meio dia disponível”, afirma.

Já quem gosta dos estilistas parisienses também pode ter a disposição um guia de compras na cidade luz. A agência de turismo Maktour criou um pacote voltado para esse perfil de viajante. “São três roteiros disponíveis: um em Saint Germain des Prés, outro em Madeleine, Saint Honoré e ainda Avenue Montaigne. No primeiro, o foco são as marcas francesas, já no segundo, são etiquetas internacionais, enquanto o último é o que chamamos de triângulo de ouro — a parte mais chique”, conta Christiane Chabes, representante da agência francesa Ring Tours. Antes de embarcar, os interessados respondem a um questionário de preferências para estabelecer o roteiro. “O personal shopper é um facilitador para quem não tem tempo, pois trabalha na área de moda e fala português, inglês e francês”, diz. “A ideia não é interferir no estilo do cliente. A maior procura por esse pacote é de mulheres acima de 30 anos que querem coisas exclusivas”, conta Fabiane Edelmann, gerente de produtos da Maktour.

Segundo Fabiane, o dia de compras começa com uma consulta inicial em um típico café parisiense. “Pode-se contratar uma van para seguir com as compras”, conta Christiane. “Às vezes, a pessoa vai só para conhecer o trabalho dos novos estilistas. A compra nem sempre é o objetivo.”

Estados Unidos

A viagem para Nova York e Miami muitas vezes significa comprar não só o que não tem aqui mas, também, peças mais em conta. Tarcísio Ximenes Júnior, presidente da Catavento Turismo, conta que a ideia de criar um pacote com personal shopper surgiu da demanda dos clientes que viviam indo para a 5ª Avenida em Nova York atrás de novidades. “Quando a viagem é para Miami, visitam os outlets e shoppings. Contratamos personal stylists brasileiros”, conta, acrescentando que a programação dura uma semana.

“Por mais que já tenham muitos brasileiros nas lojas em Miami, os clientes preferem ir acompanhados para não perderem tempo. Sem falar que os personal shoppers sabem onde os preços são mais em conta. A diferença de preço chega a ser de 300%”, conta.

Sueli Marques, diretora da SM Tour, diz que o intuito de quem procura um personal shopper é se sentir mais segura. “Muitas vezes, não sabem para onde têm de ir. Recebemos muitas noivas e casais que querem fazer o enxoval do bebê”, diz. Sueli conta que uma noiva conseguiu comprar um vestido de grife por US$ 1,3 mil, sendo que no Brasil o mesmo vestido saia por R$ 9 mil. “Tem que saber onde procurar. A mesma peça da Calvin Klein em um multimarcas sai por US$ 49,99, em um outlet por US$ 79,99, no shopping em Miami por US$ 130, enquanto no Brasil é R$ 1,2 mil”, compara.

Apesar de ainda ser um grande “emissor” de turistas em busca de moda, o Brasil agora está se tornando referência para estrangeiros. Sumaia Jundi, personal shopper, conta que tem um cliente que veio para o Brasil abrir uma empresa de petróleo. “Ele veio só com a roupa do corpo, porque queria se vestir como os brasileiros. Acabei me tornando uma consultora de estilo. A dica que dou é que as pessoas não têm de seguir apenas tendências, é importante ver o que combina com o seu estilo.”

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