Pacote de incentivos do governo e queda da taxa de juros impulsionaram indústria

Para economistas, desempenho mais robusto do setor industrial em agosto, com alta de 1,5%, representa retomada da produção e pode impulsionar PIB no segundo semestre

Ilton Caldeira , iG São Paulo | - Atualizada às

As medidas setoriais e monetárias adotadas pelo governo com mais intensidade desde abril para tentar aquecer a economia e reduzir os custos de produção da indústria são apontadas pelos especialistas como as principais responsáveis pela reação do setor produtivo. Em agosto, segundo dados divulgados nesta terça-feira, a produção industrial avançou 1,5%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o melhor desempenho do setor em 16 meses.

Produção industrial sobe 1,5% em agosto

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Para o professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Correa de Lacerda, o desempenho mais robusto do setor industrial já representa uma retomada do segmento produtivo e está diretamente ligado com as medidas do governo como a redução na taxa de juros, a ampliação do crédito e dos canais de financiamento, os incentivos com a desoneração de impostos, a redução nos custos de energia e um cenário para o câmbio menos desfavorável para as exportações.

“Esse comportamento positivo deve continuar nos próximos meses e avançar ao longo de 2013”, diz Lacerda. “O maior desafio é criar condições para aproveitar a boa fase do consumo no Brasil e gerar valor agregado ao produto local. No últimos anos, o varejo teve um desempenho muito positivo, mas isso não se refletiu na produção. Com essa mudança, a geração de empregos na indústria, que ainda está negativa no ano, deve ganhar fôlego e contribuir também com a geração de renda”, acrescenta.

Produção industrial

Desempenho mensal com ajuste sazonal

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Fonte: IBGE

O ponto de virada observado pelos especialistas no setor industrial são embasados pelo fato de que, diferentemente de outros períodos do ano, em agosto todas as categorias de uso e 20 das 27 atividades mostraram crescimento na produção, em direção contrária ao que se tinha observado em meses anteriores.

Em agosto na comparação com julho, a produção de bens de capital subiu 0,3%, os bens intermediários aumentaram 2%, os bens de consumo duráveis tiveram expansão de 2,6%, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis avançaram 1,2%.

De acordo com o IBGE, o comportamento padrão verificado na série histórica do setor aponta um melhor desempenho na produção industrial nos meses de agosto, setembro e outubro. Isso ocorre, normalmente, para que o segmento produtivo dê conta de atender as encomendas para o período de fim do ano.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também deu um importante impulsionou para a recuperação da atividade da indústria em agosto. Os segmentos beneficiados com a medida foram os principais responsáveis pela melhora no desempenho geral do setor.

Os dados do IBGE mostram que a produção de bens de consumo duráveis subiu 2,6% em agosto na comparação com julho. A alta verificada na produção de veículos foi a principal contribuição para o resultado positivo. Os eletrodomésticos de linha branca e artigos de mobiliário também contribuíram. Em três meses, há um ganho acumulado de 9,4% na produção dos bens de consumo duráveis.

No bimestre de julho e agosto em relação ao mesmo período do ano passado, os bens duráveis reduziram as perdas para 1,2%.

Na avaliação dos economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano, do Espirito Santo Investment Bank, o comportamento da produção industrial em agosto apóia a visão de que o crescimento econômico vai acelerar no segundo semestre deste ano.

“Este resultado aponta para um desempenho mais positivo no curto prazo, na esteira dos incentivos concedidos pelo governo” analisam. Para os economistas, o desempenho mais fraco pelo segmento de bens de capitale o comportamento de bens de consumo em aceleração mostra que não existe restrição na economia pelo lado da procura.

”Na verdade, o fraco desempenho da economia está relacionado com as restrições de fornecimento. Os dados de produção reforçam a expectativa de crescimento da economia com mais força no segundo semestre”, acrescentam os especialitas do banco de investimentos.

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