Com atraso, economia volta a acelerar, dizem especialistas

País começa a inverter tendência do PIB antes do final do ano e a fundamentar o crescimento de 2013

Gustavo Machado - Brasil Econômico |

Apesar do atraso de um trimestre, a economia brasileira já dá sinais de que começa a retomar a trajetória de crescimento. Após pouco mais de um ano de estímulos, começam a clarear as previsões de economistas para a atividade no final de 2012 e início de 2013.

Pautados nas prévias do Banco Central (BC) — que apontam média de crescimento mensal de 0,3% de abril a julho — e nos indicadores de crédito, especialistas estimam que o último trimestre do ano será o primeiro de aceleração do Produto Interno Bruto.

Isso pode significar que hoje, 1º de outubro, é o primeiro dia do novo ciclo econômico do país. Apesar das estimativas sugerirem um crescimento em torno de 1,5% ao final de 2012, o importante neste momento é a mudança de tendência antes da virada do ano, alavancando a economia em 2013.

Ainda que com atraso, a atividade brasileira começa a se reaquecer também com o bom nível permanente dos setores varejista de serviços, segundo Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista da Confederação Nacional do Comércio.

Ele ainda teme incertezas no setor externo, mas garante que os próximos 12 meses serão bem diferentes dos que se encerraram em setembro. “A atividade ainda está aquém do nosso potencial, principalmente pelos temores externos. Se houver uma estabilização da crise na zona do euro, podemos esperar uma aceleração que elevará o país para mais de 3% em alguns meses”, diz o ex-diretor do BC.

Segundo ele, o crédito será novamente o principal fator de crescimento. Com a estabilização da inadimplência, que está há dois meses em 7,9% para pessoas físicas, bancos privados devem acompanhar os públicos e aumentar o volume de crédito, alavancando o consumo.

Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), credita aos pacotes de estímulo uma tendência positiva de longo prazo para o PIB. “Todas as medidas — desonerações, juros em queda, aumento da renda — darão fôlego para a economia no próximo ano. O processo de retomada será gradativo, lento, mas já está acontecendo.”

Altamiro Carvalho, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio), afirma que a saída para uma possível deterioração da crise continua sendo os investimentos. “Para alcançarmos um potencial de crescimento de 4,5%, precisamos elevar nossa poupança interna para 25%. Estamos em 18%. Este precisa ser o principal elemento na arrancada econômica”, afirma Carvalho.

O movimento de alta também será importante para manter o nível de emprego atual. Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, espera que o mercado de trabalho crie um círculo virtuoso para o país no próximo ano. “Como acreditamos que o PIB voltará a crescer a taxas mais elevadas, esperamos que já neste último trimestre do ano a geração de vagas formais mostre sinais evidentes de recuperação”, diz.

Indústria e agronegócio só em 2013

Com a retomada do crescimento pautado no consumo, economistas entendem que a indústria e o agronegócio só responderão ao novo ciclo no próximo ano.

Mesmo com a peculiaridade brasileira de ter duas safras por ano, apenas a de verão pode conseguir alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Com um câmbio médio acima de R$ 2,00, melhor que no início de 2012, agropecuários esperam por maior facilidade de negociação e melhores preços em reais.

Para Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomercio, está quase garantida a aceleração do setor primário. Já para a indústria, segmento que recebeu mais estímulos pelo governo federal, a estimativa do economista é de recuperação das exportações.

“O setor de transformação foi o que mais sofreu por ser exportador e concorrer com os artigos estrangeiros. Com as novas condições macroeconômicas, ele caminha para uma recuperação paulatina da atividade”, diz.

Gilberto Braga, economista do Ibmec, espera que a indústria em 2013 volte a ganhar participação no PIB. Em matéria publicada na última semana pelo BRASIL ECONÔMICO, o setor secundário encolheu para apenas 12% do PIB.

“Energia mais barata e um câmbio que não expõe nossa indústria trazem perspectivas positivas para este setor. Observamos recuperação nos que foram estimulados diretamente, como automóveis e linha branca. Agora, poderemos notar a alta da atividade dos setores que serão beneficiados pelas ações macroeconômicas”, acredita o professor.

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