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Estudo afirma que, desde 1970, renda per capita da região quase triplicou, mas meio urbano ainda enfrenta desafios, enquanto as condições de habitação se agravaram

Valor Online

Cerca de 124 milhões de habitantes das cidades da América Latina e do Caribe vivem na pobreza, o equivalente a um quarto da população urbana da região. A conclusão faz parte do estudo "Estado das Cidades da América Latina e Caribe" lançado hoje no Rio de Janeiro pelo ONU-Habitat, o programa das Nações Unidas para habitação.

O relatório aponta os desafios para o crescimento das cidades na região composta pela América Latina e o Caribe, que já é a mais urbanizada do mundo, com quase 80% das pessoas vivendo nas cidades. De acordo com o ONU-Habitat, em 2050, 89% da população da América Latina viverá nas cidades. Nos países do Cone Sul, este percentual chegará a 90% já em 2020.

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Nos últimos cinquenta anos, o número de cidades aumentou seis vezes na região. As cidades são responsáveis por quase dois terços do PIB na região. Nesses países, só as economias das 40 maiores cidades movimentam US$ 842 bilhões. Desde 1970, a renda per capita da América Latina e do Caribe quase triplicou, mas o meio urbano ainda enfrenta grandes desafios, aponta o estudo. As condições de habitação se agravaram nas duas últimas décadas.

Atualmente, 111 milhões de pessoas vivem em habitações precárias na região, número superior ao verificado 20 anos atrás. Ao todo, 74 milhões de pessoas não possuem acesso a saneamento adequado. Já os avanços no abastecimento de água são mais significativos. Com 92% da população urbana servida por água encanada, a região já alcançou os Objetivos do Milênio no tocante ao abastecimento.

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O número sobe para 98% se consideradas outras fontes de água. Mas a qualidade do serviço é um problema. Segundo o estudo, 40% da água tratada é desperdiçada em vazamentos, uso inadequado e o mau funcionamento da infraestrutura instalada. Nos últimos 20 anos, "a consciência da América Latina e do Caribe sobre os problemas do meio urbano é maior do que no passado, mas a adoção de medidas ambiciosas em escala local ainda é incipiente", relata o documento.

O estudo "Estado das Cidades da América Latina e Caribe" foi apoiado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

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