Rejeição à Venezuela no Mercosul atende interesses dos EUA, diz senador
Roberto Requião (PMDB-PR), presidente do Parlasul, defende mercado venezuelano para produtos brasileiros e acusa Uruguai e Paraguai de buscar acordo bilaterais sem o vizinho
A contestação judicial da suspensão do Paraguai pela cúpula do Mercosul e a polêmica em torno da entrada da Venezuela no bloco sem o aval paraguaio, contestado também pelo Uruguai, foram apontadas nesta terça-feira (10) como manobras orquestradas pelos Estados Unidos com base na promessa da assinatura futura de acordos bilaterais de comércio.
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A acusação foi feita pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), durante reunião da representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), no Senado Federal. O senador é atualmente presidente do Parlasul, que reúne representantes políticos de todos os membros do bloco comercial sul-americano. O Brasil participa como 37 parlamentares, sendo 27 deputados e 10 senadores. A Argentina mantém 26 membros e Uruguai e Paraguai, 18 cada.
Segundo Requião, há interesse dos EUA em impedir a entrada da Venezuela para impedir a expansão das exportações de produtos industrializados brasileiros para a Venezuela. “O interesse [dos EUA] é manter o Brasil como exportador de commodities”, afirmou.
O presidente do Parlasul defendeu a entrada da Venezuela no bloco regional como passo importante para expansão da atividade industrial do Mercosul. “Na crise atual, com um PIB de US$ 365 bilhões e sendo um mercado importador de bens de consumo, a entrada da Venezuela é importante para o Mercosul”, disse.
Brigas e vindas
A reunião do Parlasul agendada para o início deste mês resultou em impasse. O encontro marcado para ocorrer em Montevidéu não foi realizado, após os parlamentares paraguaios exigirem participação. Enquanto os representantes de Uruguai e Brasil se dividiram, os argentinos foram contra a entrada dos colegas paraguaios.
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No dia 31 de julho, o Parlasul irá votar se concede ou não entrada da Venezuela no Mercosul. Mas o que deveria ser uma votação apenas simbólica, ratificando a decisão tomada pelos presentes de Argentina, Brasil e Paraguai, pode terminar um novo desentendimento político.




