Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

2008, o ano em que o petróleo enlouqueceu o mercado

O mercado do petróleo viveu em 2008 um drama em dois atos, marcado pela superação da barreira dos US$ 100 o barril e uma disparada meteórica dos preços até US$ 147,50, antes de uma queda de uma brutalidade sem precedente, que pode originar graves problemas de abastecimento.

AFP |

O mercado não está pronto a esquecer 2008, "um dos anos mais difíceis e voláteis já vistos", destacou Peter Beutel, do gabinete americano Cameron Hanover.

Em 2 de janeiro, o barril passou a custar mais de US$ 100. Em seguida, teve quase seis meses de recordes quase diários, culminando a US$ 147,50, em 11 de julho. Depois disso, os preços começaram a despencar mais rapidamente do que haviam subido, ficando a US$ 39,35 em Londres, no início de dezembro.

"Vimos um ano cortado em dois", resume Simon Wardell, do gabinete IHS Global Insight.

No primeiro semestre, uma soma de fatores levou os preços às alturas: tensões geopolíticas, do Irã à Nigéria passando pelo Paquistão; o equilíbrio tenso entre uma oferta limitada e uma demanda puxada pelos países emergentes; a conscientização de que as reservas são limitadas e de acesso cada vez mais difícil; uma febre dos fundos de investimento por matérias-primas.

Do ponto de vista de inúmeros analistas, este último ingrediente dominou o coquetel.

"Tivemos a confirmação de que o mercado do petróleo se tornou um verdadeiro mercado financeiro", comentou Frédéric Lasserre do Société Générale, porque ele não tinha razão fundamental para justificar a disparada dos preços.

Na realidade, os fundos usaram o petróleo de investimento contra a inflação. Um círculo vicioso: temendo a alta dos preços, eles acabaram por alimentá-la fazendo subirem os preços do petróleo - o primeiro componente da inflação.

Depois da falência do banco americano Lehman Brothers em setembro, esta lógica se inverte. Temendo a deflação, os investidores abandonam o petróleo, porque precisam urgentemente de liquidez.

Ao mesmo tempo, o petróleo caro derruba o consumo de combustível dos países industrializados, os americanos deixam seus carros pesados na garagem. Assim, a demanda mundial deve cair este ano, pela primeira vez em 25 anos, segundo as previsões da Agência Internacional de Energia.

Tudo isso sob os olhos impotentes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que, segundo Lasserre, viveu um ano difícil.

O ano termina, assim, com os preços minguados, com superpetroleiros transformados em alguns portos em depósitos flutuantes.

Para alguns o pior ainda está por vir. Os analistas do banco americano Goldman Sachs, que anunciavam ano passado o barril a US$ 200, esperam no entanto um preço médio de US$ 45 em 2009. A Merrill Lynch foi ainda mais longe e falou em US$ 30 o barril.

Mais otimista, Frédéric Lasserre aposta numa nova alta no ano que vem porque "o mais grosso dos esforços em matéria de redução do consumo está feito, enquanto o mais grosso da redução da oferta ainda está por vir".

Uma previsão parece, no entanto, ter obtido unanimidade: o petróleo se tornará caro porque o nível dos preços atuais então inferiores aos custos de produção, dissuadindo os produtores a investir. Então, a paralisia que ameaça os investimentos na indústria petroleira coloca em evidência o risco de uma alta vigorosa dos preços, quando a demanda se estabilizará a médio prazo, segundo a Goldman Sachs.

2009 será talvez o último ano de petróleo barato...

Leia mais sobre petróleo

Leia tudo sobre: petroleo

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG