William Eid Júnior é especialista em finanças e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em entrevista ao Estado, Eid fala sobre a expectativa para a taxa Selic e aponta os fatores que o investidor deve ficar de olho para não perder rentabilidade com as oscilações no juros.

William Eid Júnior é especialista em finanças e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em entrevista ao Estado, Eid fala sobre a expectativa para a taxa Selic e aponta os fatores que o investidor deve ficar de olho para não perder rentabilidade com as oscilações no juros. Na semana passada, vimos a primeira alta de um ciclo de aumentos da taxa Selic. Qual a sua expectativa para o juro básico? A alta será contínua. Creio que esse ciclo seguirá até o fim de 2011. Em dezembro do ano que vem, estaremos com uma taxa de 13% ao ano. A alta afeta imediatamente os investimentos? E a economia? Os investimentos sentem a alteração no dia seguinte à alta. A economia, não. Demora de sete a oito meses para surtir o efeito esperado. Isso quer dizer que o investidor precisa alterar a sua carteira para se a adequar aos novos rendimentos? Sim e não. Há alterações que devem ser feitas para que haja aproveitamento das bonanças. Mas também é preciso lembrar que investimento é coisa de longo prazo. Por isso, uma alteração da taxa de juros assim, sem sabermos o que ocorrerá com ela após 2011, não é motivo de vender toda a carteira e elaborar uma nova. Em quais casos o investidor deve fazer alteração na carteira? Neste momento, vale a pena procurar investimentos pós-fixados, já que continuará ocorrendo alta na Selic. Então, fundos DI e títulos públicos no Tesouro Diretor, que em sua maioria são pós-fixados, valem a pena. Por exemplo: os fundos de renda fixa, em sua maioria, são pós-fixados, os fundos DI são ainda mais. Então, quem estiver nessa onda terá bons ganhos. Há outro exemplo que garantirá bons rendimentos: para quem está na poupança vale a pena mudar para um CDB. Isso significa que quem investe no mercado acionário pode ficar tranquilo? O risco faz parte da bolsa. Além disso, não é só o aumento nos juros que afetará os rendimentos nesse tipo de investimento. Mas, mais do que isso, quem aplica em ações deve ter noção de que bolsa é para o longo prazo. Quando digo longo é longo mesmo. Crises, juros altos ou qualquer turbulência são passageiras. Não dá para fugir da bolsa porque houve queda em um dia. Além disso, é bom lembrar que, se as ações caírem, é um bom momento de comprar.

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