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13º salário: primeiro as dívidas, depois as compras

O final do ano está chegando e com ele o 13º salário, que deve injetar cerca de R$ 78 bilhões na economia do País. O montante representa 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo estimativa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), aproximadamente 68,2 milhões dos brasileiros serão beneficiados com o salário, que deve ter a 1ª parcela paga até esta sexta-feira. Mas, em tempos de crise econômica, o que fazer com o dinheiro extra?

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

 

A auxiliar jurídica Evelin Martins, de 22 anos, pretende gastar seu 13º apenas em 2009, durante suas férias ou em feriados prolongados. Como pago minha faculdade [de direito] fica pesado e não sobra quase nada do salário para sair, afirma. Até lá, ela garante, o dinheiro ficará guardado.

Evelin, porém, segundo uma pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), divulgada em novembro, faz parte de uma pequena parcela da população brasileira. A pesquisa mostra que apenas 2% dos entrevistados pretendem poupar parte do salário. A grande maioria, 60%, irá usar o 13º para pagar dívidas já contraídas. O número revela um aumento de 3,45% sobre 2007.

Para o economista e professor de finanças pessoais da Profins Business School, Francis Robert Hesse, o uso do 13º salário está correto, o problema é definir, entre todas as dívidas, qual deve ser liquidada primeiro. As pessoas devem listar todas as dívidas que têm e as taxas de juros que são praticadas para poderem analisar o que fica mais caro deixar de pagar, aconselha.

E nada de remorso se o 13º acabar antes das compras de Natal. A regra número um, segundo Gustavo Cerbasi, administrador e autor do best-seller Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Editora Gente, 2004), é eliminar os erros acumulados em 2008. Mesmo que para saldar as dívidas você acabe com o 13º, avisa.

A prioridade do brasileiro

De acordo com a pesquisa da Anefac, 36% dos entrevistados priorizam dívidas com o cheque especial. Em seguida, com 25%, estão aqueles que preferem pagar primeiro o cartão de crédito. Conforme Robert Hess, os consumidores cobrem primeiro o cheque especial porque consideram mais fácil, mas esta não é a melhor opção. O cheque especial não tem juros tão altos como as dívidas em cartão. O que sobrar no cheque especial você pode tentar trazer para o financiamento de crédito pessoal, com juros bem menores, afirma.

O professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- SP) e consultor financeiro, Claudemir Galvani, alerta também para a necessidade de poupar parte do salário para as despesas do começo de 2009, como IPVA e IPTU. 

Com o IPVA antigo você pode ser multado ao parar em blitz da polícia. A dívida vai se tornando cara, afirma. Além disso, o pagamento à vista destes impostos é mais vantajoso e livra o orçamento dos próximos meses. No caso do IPTU, como o pagamento pode ser parcelado em até 10 vezes, Galvani explica que, muitas pessoas acabam de pagar em outubro e esquecem que, em janeiro, a dívida já está de volta.

Conforme a Anefac, a intenção de 11% dos entrevistados é economizar o 13º salário para não passar aperto com as contas inevitáveis de começo de ano.

Este é o caso da aposentada Nazareth Carnavalli, de 75 anos, que disse que o que restou do seu 13º irá para o IPTU de janeiro. Metade já foi para pagar contas. A outra metade [que ainda vai receber] vai para o imposto, afirma. Nazareth conta que sua irmã muitas vezes guarda as contas achando que já estão pagas e quando ela percebe estão atrasadas. Agora só vou ficar olhando ele [o 13º salário] ir embora, mas com a casa garantida, brinca.

Cautelosos, mas é Natal 

Mesmo estando mais cautelosos do que em 2007, a pesquisa aponta que 15% dos consumidores ainda pretendem gastar parte do salário na compra de presentes.  Em 2007, 20% afirmaram que dariam este fim ao dinheiro.

Apesar da euforia comum à época do Natal, os consultores esclarecem que é preciso moderação. Tem que gastar conscientemente e não fazer dívidas. Por mais que a gente tente amenizar, estamos em uma crise. O Brasil não entrará em recessão, mas a economia vai crescer menos, explica o professor Robert Hesse.

Segundo ele, o momento requer cautela para não comprometer o rendimento futuro. Não é hora de arriscar. Tudo o que puder deve ser comprado à vista, alerta.

Hesse esclarece que as compras, no entanto, não devem ser interrompidas para não agravar a crise e provocar demissões no comércio. É o que pretende fazer a professora de ensino fundamental Marilsa Barga, de 58 anos. Eu vou comprar presentes, anima-se. 

Depois, se ainda sobrar alguma quantia do 13º salário, a sugestão dos especialistas é colocar na poupança. O mais saudável é se organizar e poupar regularmente. É importante ter consciência de que o dinheiro que se ganha no mês é também uma reserva para a vida, afirma Gustavo Cerbasi.

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